Japão amplia zona de exclusão e anuncia orçamento emergencial de US$ 50 bi

Moradores observam destruição causada por terremoto e tsunami na província de Myagi (Ewerthon Tobace - BBC)
Image caption Dinheiro servirá para construir casas temporárias e restaurar infraestrutura

O governo japonês anunciou hoje um orçamento emergencial de cerca de US$ 50 bilhões para a primeira fase de recuperação das áreas destruídas no nordeste do país pelo terremoto e tsunami do dia 11 de março.

O governo também anunciou a ampliação da zona de exclusão em torno da usina de Fukushima, que passará a incluir algumas vilas que estão fora do raio de 20 km ao redor da usina.

A verba anunciada nesta sexta-feira, prevista para ser usada já no começo de maio, ainda precisa ser aprovada pelo Parlamento. A votação deve ocorrer ainda no final deste mês.

“Este é o primeiro passo para o novo começo do Japão”, disse o ministro de Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, à imprensa.

Este dinheiro será usado para construção de casas temporárias, limpeza dos escombros, restauração da infraestrutura, reconstrução de estradas e portos e empréstimos relacionados ao desastre.

O Japão enfrenta sua pior crise pós-guerra e, segundo cálculos do governo, a tragédia deve custar aos cofres públicos pouco mais de US$ 300 bilhões. Por isto, uma série de orçamentos extras deve ser anunciada em breve pelo governo japonês.

Somente este primeiro valor divulgado nesta sexta, por exemplo, já supera o montante gasto na reconstrução da cidade de Kobe, destruída por um terremoto em 1995.

Pagamento da conta

A grande preocupação da população local é como o governo vai pagar a conta. As autoridades garantiram que não há previsão de emissão de novos bônus ou empréstimo de dinheiro para financiar o orçamento emergencial.

O ministro Noda reforçou que o governo vai manter a política de disciplina fiscal. O país tem hoje uma dívida pública que ultrapassa o dobro do Produto Interno Bruto (PIB), a maior de um país industrializado.

A maior parte do novo orçamento, segundo explicou o ministro, virá de cortes em recursos alocados para ajuda ao desenvolvimento exterior, as contribuições públicas ao programa básico de previdência e o projeto de ajuda financeira às famílias com crianças.

Zona proibida

O governo japonês anunciou hoje também a inclusão de algumas vilas que estão fora do raio de 20 quilômetros da usina nuclear de Fukushima na zona de entrada proibida.

A zona de exclusão foi ampliada por causa da preocupação com o alto nível acumulado de exposição à radiação.

Todos os moradores de Iitate, Katsurao, Namie e parte de Kawamata e Minamisoma, todas localizadas na província de Fukushima, precisam sair de suas casas até o final de maio.

Segundo o secretário-chefe do gabinete, Yukio Edano, pouco mais de 10.500 pessoas serão afetadas pela decisão de ampliação da área proibida.

A medida tem força de lei e começou a valer a meia-noite de quinta-feira (hora local). Ela foi tomada porque as autoridades querem ter um controle maior da entrada de pessoas na região e também evitar saques. Assim, quem não cumprir a medida poderá responder a processo.

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