Ásia

Paquistaneses bloqueiam comboio da Otan em protesto contra ataques

Reuters

Líder da oposição Khan acena de um carro ao chegar em comício

Milhares de pessoas na província de Peshawar, no noroste do Paquistão, iniciaram neste sábado um protesto de dois dias contra os ataques de aviões não-tripulados dos Estados Unidos, chegando a impedir o tráfego de caminhões da Otan na região.

O comboio da Otan bloqueado pelo protesto tinha como destino o Afeganistão. Os ataques dos aviões não-tripulados têm causado grande revolta popular, devido às mortes de civis nos bombardeios, além de incentivar sentimentos antiamericanos.

O protesto ocorre um dia depois que um bombardeio com aeronaves não-tripuladas matou 25 pessoas na cidade de Spinwam, na província do Waziristão do Norte.

De acordo com autoridades militares ouvidas pela BBC, cinco mulheres e quatro crianças estavam entre as vítimas do ataque. Os mísseis tinham como alvo instalações ocupadas pelas forças do comandante insurgente Hafiz Gul Bahadur.

A Al-Qaeda e o Talebã têm forte presença na região, formada por várias áreas tribais controladas pelo governo paquistanês.

O ex-jogador de críquete e político de oposição Imran Khan, um dos principais organizadores das manifestações, planeja fazer um discurso neste domingo. Movimentos religiosos e grupos da sociedade civil paquistanesa também participam dos protestos.

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Precisão e eficiência

Os aviões não-tripulados podem localizar e destruir pequenos alvos a quilômetros de distância, sendo considerados mais precisos e eficientes em áreas urbanas e povoadas. Além do Paquistão, estas aeronaves são utilizadas no Afeganistão e na Líbia.

O número de ataques com aviões não-tripulados na região aumentou desde que a posse do presidente americano, Barack Obama, em 2009. Mais de cem bombardeios foram registrados no último ano.

Muitos insurgentes, alguns deles em altos postos de comando, foram mortos na ações, mas centenas de civis também foram vitimados.

Em março, cerca de 40 pessoas morreram no ataque de um avião não-tripulado no Waziristão do Norte. Relatos indicam que várias das vítimas seriam civis que assistiam a uma reunião tribal.

O correspondente da BBC em Islamabad Ilyas Khan afirma que poucos ataques do tipo foram realizados em Spinwam, tornando a cidade um local relativamente seguro para militantes islâmicos que foram expulsos de outras áreas do noroestes paquistanês.

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