Forças sírias ‘voltam a disparar’ contra manifestantes

Mulher envolta em bandeira síria em manifestação contra o governo de Damasco em Amã/Afp Direito de imagem BBC World Service
Image caption As críticas ao governo sírio vêm crescendo nas últimas semanas

As forças de segurança teriam voltado a abrir fogo contra manifestantes em diversos pontos da Síria neste domingo, de acordo com relatos vindos do país.

Há informaçõs também de que dezenas de pessoas teriam sido detidas e pelo menos uma, na cidade de Jeblah, morta.

O correspondente da BBC em Beirute (Líbano) Owen Bennett Jones, afirma que os vídeos divulgados neste domingo mostram que a violência prossegue, mas os protestos contam com a participação de menos pessoas dos que nos últimos dois dias.

Acredita-se que mais de cem pessoas tenham sido mortas entre sexta-feira e sábado em manifestações contra o governo.

Leia mais: Forças sírias abrem fogo em funerais e matam pelo menos 12

O repórter diz que os detidos seriam suspeitos de organizar os protestos. A agência oficial de notícias síria responsabiliza gangues de criminosos pela violência no país.

‘Carnificina’

O grupo de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch pediu sanções internacionais às autoridades da Síria responsáveis pelo assassinato de ativistas de oposição.

A entidade, com sede nos Estados Unidos, pediu ainda uma investigação independente sobre os episódios.

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Image caption Milhares de pessoas compareceram aos funerais de sábado na Síria

"Depois da carnificina de sexta-feira, não é mais suficiente condenar a violência", disse o vice-diretor do Human Rights Watch para o Oriente Médio e o norte da África, Joe Stork, em um comunicado.

"Em face à estratégia de 'atirar para matar' das autoridades sírias, a comunidade internacional precisa impor sanções àqueles que ordenaram os disparos contra os manifestantes", afirmou.

Outros grupos, incluindo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (com base na Grã-Bretanha) e a Comissão Internacional de Juristas (sediada na Suíça), também pediram investigações a respeito das mortes.

Funerais

Nesse sábado, pelo menos 12 pessoas foram mortas quando forças de segurança sírias abriram fogo nos presentes aos funerais de manifestantes mortos no dia anterior, segundo relatos vindos do país.

Os protestos da última sexta-feira foram os mais sangrentos na Síria desde o início das manifestações contra o governo do presidente Bashar Al-Assad, deixando entre 70 e 100 manifestantes mortos. Os dissidentes pedem reformas democráticas no país.

Os episódios causaram forte reação, dentro e fora do país.

Neste domingo, o ministro do Exterior da Grã-Bretanha, William Hague, pediu que os cidadãos britânicos deixem a Síria o mais rápido possível, devido à deterioração progressiva da segurança no país.

Hague também condenou a violência crescente no país árabe e disse estar espantado com a matança de manifestantes.

No sábado, dois integrantes do Parlamento sírio renunciaram, em protesto pelas mortes. Ambos os parlamentares são da cidade de Deraa, palco de diversas mortes na sexta-feira.

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