Pelo menos dois morreram em protestos no Iêmen, dizem testemunhas

Polícia dispara com canhões de água contra manifestantes em Taiz (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Manifestações ocorreram em várias cidades do Iêmen

Pelo menos dois manifestantes de oposição teriam sido mortos nesta segunda-feira em confrontos com as forças seguranças do Iêmen, segundo informações de testemunhas e funcionários do setor médico do país não confirmadas pela BBC.

Um deles teria sido morto a tiros e outros 30 teriam ficado feridas depois que policiais à paisana dispararam contra os manifestantes em um protesto na cidade de Ibb (a cerca de 190 km ao sul da capital, Sanaa). A segunda morte teria ocorrido na cidade de Al-Baida, ao sul de Ibb.

Além dos confrontos em nessas duas cidades, dezenas de pessoas teriam ficado feridas na cidade de Taiz (sul do país), depois que soldados dispararam e atiraram gás lacrimogêneo contra dezenas de milhares de pessoas que participavam de um protesto.

Os manifestantes estão indo às ruas para exigir a renúncia do presidente, Ali Abdullah Saleh, que está no poder há 32 anos.

No sábado, o partido de Saleh, Congresso Geral do Povo, concordou com um plano que prevê que o presidente entregue o poder para seu vice dentro de 30 dias em troca de imunidade, mas a oposição afirma não acreditar que Saleh manterá a promessa e pede sua saída imediata.

Leia mais na BBC Brasil: Presidente do Iêmen concorda em deixar o poder

Capital

As forças de segurança colocaram barreiras de concreto para bloquear as ruas de acesso ao gabinete do governador de Taiz e também enviou veículos blindados para as ruas, segundo testemunhas.

Um canal de televisão de oposição informou que os manifestantes continuavam a marchar para o centro da cidade "apesar das barreiras de segurança, disparos de balas de verdade e gás lacrimogêneo".

Em Sanaa, onde os manifestantes continuam seu protesto na praça central desde fevereiro, milhares de professores fizeram passeata até o Ministério da Educação, carregando cartazes com frases como "sem negociação, sem diálogo", e gritando "sem estudo, sem ensino até a queda do presidente".

Também teriam ocorrido protestos na cidade de Mukalla, no sudeste do país, e na cidade de Al-Hudaida, na costa do Mar Vermelho.

Acordo

O acordo para a saída de Saleh, elaborado por países do Golfo Pérsico, foi aceito por uma coalizão de sete partidos de oposição, mas muitos manifestantes dizem que não se sentem representados pelos partidos.

Além da transferência de poder, o plano prevê que o presidente nomeie um integrante da oposição para liderar um governo interino que deve preparar eleições dentro de dois meses.

Segundo a proposta, Saleh, sua família e assessores receberão imunidade e não poderão ser processados. Integrantes da oposição iemenita já afirmaram que não aceitam este ponto do acordo.

Há dois meses, diversas manifestações populares pedem reformas democráticas no Iêmen, além da saída imediata de Saleh.

O regime iemenita vem usado violência para conter os protestos no país. Pelo menos 130 pessoas morreram nos protestos contra o governo desde fevereiro.

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