Filho de Khadafi diz que ataques da Otan não assustam

Saif al-Islam Direito de imagem BBC World Service
Image caption Saif disse que o regime não se renderá frente aos bombardeios

O filho do líder líbio, Muamar Khadafi, Saif al-Islam, disse o regime não se intimidou com os bombardeios da Otan nas primeiras horas desta segunda-feira na capital do país, Trípoli.

"O ataque covarde aconteceu no meio da noite. É possível que este ataque assuste meninos e meninas pequenos. Mas não vamos hastear a bandeira branca, nos render e não estamos com medo", disse ele.

O bombardeio provocou grandes danos a edifícios do complexo em que fica a residência de Khadafi.

Segundo relatos locais, ao menos dois mísseis atingiram a região de Bab al-Aziza, onde fica o complexo de Khadafi, na madrugada desta segunda-feira.

Três estações de TV locais saíram do ar brevemente após as explosões.

Os ataques foram um dos mais fortes a Trípoli desde o início das operações da coalizão internacional para proteger os civis do país de ataques das forças de Khadafi.

‘Atmosfera perigosa’

Direito de imagem Reuters
Image caption Prédios destruídos teriam sido usados recentemente por Khadafi

As operações, iniciadas no mês passado, foram autorizadas por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, após a forte repressão do governo líbio contra grupos de oposição que pediam a renúncia de Khadafi.

Mas o ministro das Relações Exteriores da Rússia disse que o fato de rebeldes passarem a contar com o apoio ocidental para promover levantes estaria criando uma atmosfera perigosa no Oriente Médio.

"Infelizmente, isso é contagioso e surge entre rebeldes de outros países da região, na esperança de agravar a situação para a chegada da comunidade internacional, ao seu lado", disse Sergei Lavrov.

"Este é um convite para guerras civis. Portanto, é irresponsabilidade os governos usarem força contra seus cidadãos, da mesma forma que é irresponsabilidade a oposição convidar o uso de força de alguém de fora", disse ele.

A Rússia pediu para que a Líbia implemente a resolução da ONU e cesse os ataques contra civis. O país se absteve de votar na resolução que autoriza a intervenção militar.

No domingo, tropas leais a Khadafi seguiram atacando a cidade de Misrata, apesar de o líder dizer que pararia com os ataques.

A revolta popular contra Khadafi começou em fevereiro, inspirada pela onda de protestos pró-democracia em vários países árabes e que levaram à queda dos presidentes da Tunísia e do Egito.

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