ONU acusa governo do Sri Lanka de matar milhares de civis

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Image caption Dezenas de milhares de tâmeis foram confinados em campos de refugiados

A ONU divulgou nesta segunda-feira um relatório afirmando que ataques do governo do Sri Lanka mataram dezenas de milhares civis em conflitos ocorridos em 2009.

A organização pediu uma investigação internacional sobre possíveis crimes de guerra cometidos pelas forças do governo, mas também pelo grupo Tigre Tâmeis, especialmente nos últimos meses do conflito.

Após mais de duas décadas de guerra civil, os rebeldes foram derrotados pelo exército cingalês. Muitos tâmeis foram mortos e dezenas de milhares, confinados em campos de refugiados.

O relatório afirma que dezenas de milhares de civis foram mortos durantes bombardeios das forças oficiais. Conclui também que os rebeldes do grupo Tigres Tâmeis usaram mais de 300 mil civis como escudos humanos, atirando nos que tentavam escapar.

'Brutal'

Segundo o documento, a ofensiva final do governo, entre janeiro e maio de 2009, teria sido brutal. Até mesmo hospitais, sedes da ONU e de grupos humanitários teriam sido atacados pelas forças oficiais.

“Há acusações confiáveis de que uma série de violações da legislação humanitária internacional foi praticada pelo governo do Sri Lanka e pelos Tigres Tâmeis, algumas das quais constituiriam crimes de guerra e crimes contra a humanidade”, afirma o relatório.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse, no entanto, que ele só poderia determinar que o caso seja investigado se o governo do Sri Lanka aceitar ou se os membros da organização solicitarem.

O governo do Sri Lanka classificou o documento tendencioso e voltou a negar que teria matado civis deliberadamente. Autoridades do país haviam pedido à ONU que não divulgasse o relatório, alegando que iria prejudicar os esforços de reconciliação.

A ONU fez um apelo ao governo para que reconheça formalmente seu papel na morte de civis.

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