Confrontos entre manifestantes e soldados 'matam cinco' no Iêmen

Protesto contra o governo em Sanaa, capital do Iêmen (AFP/Getty) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Forças do governo teriam disparado contra manifestantes em Sanaa

Forças de segurança do Iêmen abriram fogo e mataram pelo menos cinco manifestantes oposicionistas na capital, Sanaa, nesta quarta-feira, segundo testemunhas e médicos.

De acordo com as testemunhas, dezenas de outras pessoas também ficaram feridas quando soldados e policiais à paisana dispararam contra o protesto.

O incidente ocorreu um dia depois que o governo e a oposição concordaram em assinar um acordo que determinará a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh dentro de 30 dias.

Os disparos aconteceram quando os manifestantes tentavam chegar a uma área além do bairro onde os oposicionistas estão acampados há semanas em Sanaa.

Muitos dos mortos e feridos teriam sido atingidos na cabeça e no tronco, de acordo com informações de um paramédico à agência de notícias Associated Press.

Vários corpos teriam sido levados para hospitais particulares.

Nesta quarta-feira, pelo menos uma pessoa foi morta na cidade de Aden, no sul do Iêmen.

Mais de 130 pessoas foram mortas pelas forças de segurança do país e partidários do presidente Ali Abdullah Saleh desde que os protestos começaram no país em janeiro. Saleh está no poder há 32 anos.

Acordo

No sábado, o partido de Saleh, Congresso Geral do Povo, concordou com um plano que prevê que o presidente entregue o poder para seu vice dentro de 30 dias em troca de imunidade, mas a oposição afirma não acreditar que Saleh manterá a promessa e pede sua saída imediata.

O acordo para a renúncia de Saleh, elaborado por países do Golfo Pérsico, foi aceito por uma coalizão de sete partidos de oposição, mas muitos manifestantes dizem que não se sentem representados pelos partidos.

Além da transferência de poder, o plano prevê que o presidente nomeie um integrante da oposição para liderar um governo interino que deve preparar eleições dentro de dois meses.

Segundo a proposta, Saleh, sua família e assessores receberão imunidade e não poderão ser processados. Integrantes da oposição iemenita já afirmaram que não aceitam este ponto do acordo.

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