Múltis brasileiras voltam a investir em 2010 e são destaque em relatório da ONU

Projeto de níquel da Vale no Pacífico Sul (Foto: Agencia Vale/AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Expansão de múltis como a Vale impulsionaram IED do Brasil

As multinacionais brasileiras voltaram a investir em 2010 e impulsionaram o desempenho da América Latina como fonte de investimentos externos diretos (IED), segundo um relatório trimestral do braço da ONU para o desenvolvimento, a Unctad.

Em 2009, segundo a Unctad, as companhias brasileiras haviam trazido de volta ao país US$ 10,1 bilhões que antes tinham investidos no exterior. Porém no ano seguinte, 2010, as empresas enviaram para fora US$ 11,5 bilhões, calculou a Unctad no relatório, intitulado Global Investiments Trend Monitor ("Monitor de Tendências de Investimento Globais", em tradução livre).

"Companhias brasileiras, como Vale, Gerdau, Camargo Correa, Votorantim, Petrobras e Braskem fizeram aquisições nas indústrias de minério de ferro, aço, alimentos, cimentos, químicos e refino de petróleo em países desenvolvidos", destacou o relatório.

Segundo a Unctad, entre os países da América Latina citados no relatório, o Brasil perdeu apenas para o México em 2010 em termos de IED. As companhias mexicanas enviaram US$ 12,7 bilhões para o exterior.

No total, a região somou US$ 84 bilhões no ano passado.

<b>De emergentes para emergentes</b>

O envio de IED para o exterior é expresso em termos líquidos considerando diversas operações das companhias no cenário internacional, como fusões e aquisições, compra de participação em outras empresas, recursos para filiais e reinvestimento de lucros.

Segundo a Unctad, a recuperação desses fluxos no ano passado em relação a 2009 foi puxado principalmente por reinvestimentos possibilitados por altos lucros.

O cenário para os investimentos em participações acionárias e mesmo para fusões e aquisições permanecem "voláteis", disse o estudo.

Entre as regiões onde ficam países em desenvolvimento, a maior fonte de recursos para o exterior foi proveniente do sul, sudeste e leste da Ásia, que movimentou US$ 228,2 bilhões principalmente por conta das empresas de Hong Kong, da China continental, de Cingapura e da Coreia do Sul.

"Uma característica da importância do papel cada vez maior das economias em desenvolvimento e em transição como investidores é que a maior parte dos seus investimentos (70%) é dirigida para outros países em desenvolvimento e em transição, enquanto essa proporção entre os países desenvolvidos é de apenas 50%", diz o estudo.

<b>Recuperação</b>

Como um todo, o investimento dos países emergentes no exterior saltou de cerca de US$ 257 bilhões em 2009 para US$ 316 bilhões no ano passado, um aumento de cerca de 23%.

Entre as economias desenvolvidas o envio de IED para o exterior também aumentou, mas a um ritmo menor que entre os emergentes – 10% -, somando US$ 967 bilhões.

"Os fluxos de IED se elevaram em todos os principais grupos de economias, mas a ritmos diferentes. O fluxo dos países em desenvolvimento e em transição se recuperou com força, refletindo a força de suas economias, o dinamismo de suas companhias transnacionais e a sua aspiração crescente a competir em novos mercados", disse a Unctad.

"Nos países desenvolvidos o fluxo cresceu de forma mais modesta, refletindo a pouca disposição de investimento das companhias transnacionais europeias."

No mundo, o fluxo de IED contabilizado pelos países chegou a US$ 1,35 trilhão no ano passado, o que representa um aumento de 13% em relação ao ano anterior.

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