BNDES promete ‘ação imediata’ para viabilizar obras em aeroportos

Image caption Coutinho disse que país vai adotar medidas urgentes para garantir investimentos

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que o país vai adotar medidas urgentes para viabilizar obras para os aeroportos, tomando uma "ação imediata" para garantir os investimentos necessários no setor.

Ao falar sobre os desafios enfrentados pela América Latina no quesito infraestrutura, porém, Coutinho afirmou que é preciso maior planejamento para projetos.

"Os investimentos em infraestrutura estão aumentando, mas acho que uma prioridade deve ser desenvolver projetos com maior antecedência, e criar mecanismos para financiar esse estágio de preparação. Temos alguns projetos em andamento, mas o desafio é aprimorar a preparação dos projetos para que sejam desenvolvidos com tempo suficiente para obter as licenças necessárias e fazer análises de impacto ambiental", disse.

No painel dedicado a debater os desafios de infraestrutura na América Latina, no Fórum Econômico Mundial regional, no Rio, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, indicado pela presidente Dilma Rousseff para assumir a Autoridade Pública Olímpica (APO), disse que o país hoje tem condições de viabilizar obras de infraestrutura em prazos menores.

A seu ver, isso não implicará prejuízos à qualidade. "São duas coisas diferentes. Uma coisa é um projeto com uma visão de longo prazo. Outra coisa é acelerar o prazo de implementação, ser mais eficiente.

Fazer certo, fazer bem, fazer com uma visão de longo prazo, mas fazer um projeto que não perca tempo. Por isso o 'fast track' é importante, um procedimento mais eficiente e mais rápido."

Meirelles disse acreditar que as obras necessárias no Brasil para a Copa do Mundo podem ser feitas no prazo. "Com as mudanças que estão sendo feitas, o Brasil começa a demonstrar que está em condições de enfrentar isso. A questão dos aeroportos é fundamental, não só a decisão de abrir concessões mas também de mudar as regras, tornar (o processo) mais eficiente e fazer com que o investimento de fato aconteça", afirmou, referindo-se ao anúncio do governo nesta semana de os aeroportos brasileiros seriam abertas à concessão privada.

Planejamento falho

Maurício Cárdenas, diretor do departamento dedicado à América Latina do 'think tank' Brookings Institution, considera que a questão da infraestrutura na América Latina está muito atrasada, e que falta justamente planejamento para projetos.

"Agora temos mais dinheiro, os governos têm mais recursos para infraestrutura e o setor privado quer participar. Mas não temos um estoque de projetos que estão prontos para sair do forno, para serem implementados", afirma. "Não investimos nessa capacidade técnica no nível dos ministérios, na elaboração de projetos, no tempo para avaliações. Esquecemos o planejamento."

O risco, afirma, é levar adiante projetos que não estão maduros. "Como não são maduros, serão improvisados, e isso pode levar a perdas e ineficiências. Temos que investir mais na capacidade técnica e na preparação dos projetos, mas não é disso que os políticos gostam. Essa é a parte menos glamourosa, que ninguém vê", diz.

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