ONU aprova inquérito sobre Síria em meio a relatos de mais de 40 mortes

Foto enviada por manifestantes na cidade de Qamishli, nesta sexta-feira (AP) Direito de imagem AP
Image caption Manifestações se espalharam por diversas cidades sírias nesta sexta

Testemunhas relatam que mais de 40 pessoas morreram nesta sexta-feira em um protesto contra o governo que foi reprimido pelas forças de segurança no sul da Síria, no mesmo dia em que o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou o início de uma investigação sobre abusos no país.

Os homens armados teriam atirado nos participantes do protesto na cidade de Deraa, que reuniu milhares de manifestantes pedindo reformas governamentais, de acordo com as testemunhas e grupos de direitos humanos.

A cidade está cercada desde segunda-feira por tropas e tanques e sofre com a falta d'água, energia e serviços de telecomunicação.

Milhares de manifestantes oposicionistas também teriam tomado as ruas da capital síria, Damasco. Os policiais na cidade teriam disparado gás lacrimogêneo contra os manifestantes assim que terminaram as tradicionais preces islâmicas de sexta-feira.

A agência estatal de notícias da Síria informou que quatro soldados foram mortos e duas pessoas foram presas quando o que a agência chamou de um “grupo armado de terroristas” atacou um posto militar.

Também foram relatados protestos nas cidades de Homs, no oeste, Qamishli, no nordeste, e nas cidades litorâneas de Latakia e Baniyas, no oeste.

ONU

Em Genebra, o Conselho de Direitos Humanos da ONU condenou o uso da violência contra os manifestantes e aprovou, por 26 votos a 9, o início de uma investigação internacional sobre a repressão aos protestos. O Brasil votou a favor.

Ficou determinado que o conselho pedirá ao Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU o envio, “com urgência”, de uma missão à Síria para apurar as supostas violações, que podem configurar crime contra a humanidade.

A decisão ocorre num momento de crescente repúdio internacional à escalada da violência na Síria e ao governo do presidente Bashar Al-Assad. Há relatos de que mais de 500 manifestantes tenham sido mortos desde o início da onda de protestos antigoverno, em meados de março.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, impôs, nesta sexta-feira, mais sanções contra a Síria, que afetarão três políticos próximos a Assad. Eles terão seus bens nos EUA congelados e não poderão, em tese, fazer negócios com empresas americanas.

Também há indicativos de que a União Europeia deve aprovar novas sanções ao regime sírio.

Dia de fúria

Oposicionistas do governo Assad haviam convocado para esta sexta-feira um "dia de fúria" em solidariedade com as vítimas de recentes confrontos entre as forças de segurança e manifestantes em Deraa.

Um correspondente da BBC em Damasco, que não pode se identificar por motivos de segurança (jornalistas estão proibidos de entrar no país), afirma que uma multidão se aglomerou para cantar slogans antirregime diante de uma grande mesquita da cidade.

Os protestos receberam o apoio da Irmandade Muçulmana, grupo islâmico banido pelo governo desde os anos 1980.

“Cantem com uma só voz por liberdade e dignidade”, dizia um comunicado do grupo dirigido aos manifestantes. “Não permitam que o tirano os escravize.”

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