Especialistas dizem ter esperança de analisar caixa-preta do voo AF 477

Módulo de memória foi encontrado por investigadores. Direito de imagem BEA
Image caption Módulo de memória do avião foi encontrado na quinta fase das buscas

O diretor do Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês), Jean-Paul Troadec, disse que há esperanças de que seja possível extrair e analisar os dados do módulo de memória do voo AF 477 da Air France, que foi encontrado neste domingo.

A unidade de memória dessa caixa-preta, chamada Flight Data Recorder (gravador de dados do voo ou FDR, na sigla em inglês), contém os parâmetros técnicos do voo, como a altitude, a velocidade e a trajetória do avião da Air France.

Essas informações são consideradas essenciais para a investigação do acidente, que matou 228 pessoas em maio de 2009.

"A caixa preta parece estar em bom estado físico. Nossos especialistas disseram que podemos ter esperança de ler os dados”, disse Troadec.

O módulo de memória da caixa-preta foi encontrado durante a quinta fase de buscas do equipamento, iniciada na última terça-feira.

Mas as buscas continuam para tentar localizar a outra caixa-preta do avião, chamada Cockpit Voice Recorder, que grava as conversas dos pilotos na cabine.

Os investigadores haviam dito que poderia ser difícil conseguir analisar as caixas-pretas da aeronave, já que elas ficaram quase dois anos submersas a cerca de quatro quilômetros de profundidade.

Alain Bouillard, chefe das investigações do acidente, havia declarado recentemente que “serão necessários vários dias de preparativos para ler o conteúdo das caixas-pretas e talvez várias semanas, se estiverem danificadas”.

O voo AF 477 da Air France fazia o trajeto Rio de Janeiro - Paris, quando caiu no oceano Atlântico.

Respostas

Direito de imagem BEA
Image caption Memória contém dados técnicos sobre o voo AF477 da Air France

Em um comunicado, o diretor-geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon disse que a quinta fase de buscas pode revelar novos detalhes sobre o acidente.

"Essa nova etapa nas investigações constitui um grande avanço porque ela poderia fornecer informações suplementares sobre as causas desse acidente, inexplicado até hoje", disse.

Gourgeon afirmou ainda que espera “que o BEA possa trazer respostas às perguntas feitas há quase dois anos pelas famílias das vítimas, por nossa companhia e pela comunidade aérea mundial quanto aos fatos que conduziram a esse trágico acidente”.

Na quarta-feira, o BEA, que apura as causas do acidente, havia localizado somente o chassi dessa caixa-preta, sem a unidade que armazena os dados.

Neste domingo, segundo um comunicado do órgão, o módulo de memória da caixa-preta foi localizado às 10 horas GMT (7 hs em Brasília).

O equipamento foi içado pelo robô Remora 6000 a bordo do navio Ile de Sein às 16h40 GMT (13h40 no horário brasileiro).

As operações estão sendo realizadas a 3,9 mil metros de profundidade a cerca de 1,1 mil metros de distância da costa brasileira.

A fuselagem do Airbus havia sido localizada no início de abril, a apenas cerca de dez quilômetros ao norte da última posição do avião conhecida nos radares.

A caixa-preta com os dados do voo (e, se for localizada, também a que contém as conversas dos pilotos) serão levadas à França por uma fragata da marinha francesa.

O equipamento será analisado na sede do BEA nos arredores de Paris.

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