Analistas destacam reação cautelosa à morte de Bin Laden no mundo árabe

Bin Laden/Reuters Direito de imagem BBC World Service
Image caption Líderes sabem que a morte de Bin Laden não é o fim do extremismo

Comentaristas políticos em emissoras de TV árabes destacaram nesta segunda-feira as reações cautelosas de vários governos da região ao anúncio da morte de Osama Bin Laden e alertaram para um possível aumento do número de ataques realizados pela rede Al-Qaeda.

Os analistas citaram a imprevisibilidade das repercussões da morte entre as camadas mais populares e marginalizadas das sociedades do mundo árabe e muçulmano, “mais vulneráveis e propensas a ideologias radicais”.

Para alguns, os governos árabes – que já passam por dificuldades em lidar com movimentos pró-democracia na região - deverão ficar em alerta, pois a radicalização não diminuirá com a morte de Bin Laden entre setores da sociedade islâmica, e as “reações poderão ser de uma guinada ao extremismo e terrorismo”.

Muitos governos árabes, especialmente os aliados dos Estados Unidos, certamente estão satisfeitos, mas sabem que a morte de Bin Laden não significa o fim de seus problemas com o extremismo em seus países”, disse à BBC Brasil o cientista político jordaniano Mahjoob Zweiri, da Universidade do Catar.

“Estamos em um atual momento de mudanças no mundo árabe. Diferentes ideologias, incluindo as islamistas moderadas e outras mais radicais, farão parte do novo cenário político da região. E os seguidores de Bin Laden não deixarão esse momento passar”, salientou Zweiri.

Para o analista, os extremistas não abandonarão suas operações e é possível que tenham como alvo os países do Oriente Médio.

“Alvos preferenciais devem ser aqueles que passam por momentos de mudanças, convulsões sociais e levantes populares, como Iêmen, Tunísia e Egito, além do Afeganistão, Iraque e Paquistão.”

Facebook

Embora as reações à morte de Bin Laden fossem de satisfação na grande maioria das populações árabes nas ruas, segundo emissoras de TV, houve também manifestações de repúdio à ação militar americana.

Na internet, comunidades em apoio ao líder morto apareceram na rede social Facebook. Uma delas, intitulada Todos Somos Bin Laden, contava, por volta das 11h de Brasília, com mais de 650 membros.

Alguns membros se identificavam como “jihadistas” e prometiam vingar o assassinato de seu líder. Outros se declaravam pessoas comuns que admiravam Bin Laden e o chamaram de “ídolo” e “herói”.

No entanto, outra comunidade no Facebook, com o título de Nós Todos Odiamos Bin Laden, contava com mais de 700 membros e mostrava mensagens de apoio à ação americana e satisfação com a morte do saudita.

No Iraque, onde grupos ligados à Al-Qaeda cometeram dezenas de atos terroristas, há relatos de comemoração da morte de Bin Laden tanto nas comunidades xiitas quanto sunitas.

Um porta-voz disse que o governo em Bagdá está “aliviado pela morte (do responsável) pelo assassinato de muitos iraquianos”.

Já o grupo islâmico palestino Hamas condenou o ataque americano como “ato criminoso” e disse que a ação representava “a continuidade da opressão dos EUA e mais sangue de muçulmanos e árabes”.

Reações na Ásia

O governo do Afeganistão, país que durante anos foi uma base da rede extremista durante o governo do Talebã, também se declarou “aliviado” e pediu para que o grupo “encerrasse suas atividades militares no país”.

Mas seu presidente, Hamid Karzai, ressaltou que a morte de Bin Laden prova que “a 'guerra contra o terror' não está nas casas de afegãos inocentes, no bombardeamento de crianças e mulheres afegãs (...). A 'guerra contra o terror' deve acontecer em seus refúgios e campos de treinamento, não no Afeganistão”.

O Irã também se pronunciou em relação à morte do líder da Al-Qaeda, dizendo que aplaudia o fim do líder terrorista, mas que agora os EUA “não tinham mais desculpa para sua presença militar na região”.

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