EUA dizem que farão o possível para evitar dúvida sobre morte de Bin Laden

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Image caption Brennan diz que governo não decidiu se revelará provas fotográficas

Um representante da Casa Branca disse nesta segunda-feira fará “todo o possível” para evitar que se coloque em dúvida a veracidade da notícia sobre a morte do líder da rede extremista Al-Qaeda, Osama Bin Laden.

“Nós vamos fazer tudo o que pudermos para garantir que ninguém tenha qualquer base para negar que nós capturamos Osama Bin Laden”, disse John Brennan, o principal assessor do governo para assuntos de segurança nacional e contraterrorismo, em entrevista coletiva em Washington.

No entanto, Brennan disse que o governo americano ainda não decidiu se vai ou não revelar provas fotográficas de que Bin Laden está morto.

O assessor afirmou que o governo não quer colocar em risco operações futuras do tipo.

“Não queremos fazer nada que possa comprometer nossa capacidade de ser tão bem-sucedidos na próxima vez que capturarmos um desses caras”, disse.

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Corpo

A morte de Bin Laden foi anunciada pelo presidente Barack Obama no final da noite de domingo, em um pronunciamento transmitido ao vivo pela TV.

O líder da Al-Qaeda era acusado de ser o principal mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001 – que mataram cerca de 3 mil pessoas no World Trade Center, em Nova York, e no Pentágono, em Washington.

Obama disse que Bin Laden foi morto em uma operação das forças americanas no Paquistão.

Segundo o governo americano, seu corpo foi enterrado no mar, em um funeral ministrado pelas forças americanas de acordo com os ritos religiosos islâmicos.

“Foi decidido que era do melhor interesse de todos os envolvidos que esse enterro ocorresse, de acordo com as exigências islâmicas, no mar”, disse Brennan.

Fontes do governo afirmam que testes de DNA confirmaram a identidade do fundador da Al-Qaeda.

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Governo do Paquistão

Brennan afirmou que o governo do Paquistão não foi informado sobre a operação.

“Nós não contatamos os paquistaneses até que todo o nosso pessoal e todas as nossas aeronaves estivessem fora do espaço aéreo paquistanês”, disse.

Segundo o assessor, os Estados Unidos estão buscando informações para saber o tipo de apoio que Bin Laden pode ter tido para se esconder no país e está mantendo contato regularmente com as autoridades paquistanesas.

“Estamos analisando neste momento como ele conseguiu se manter lá por tanto tempo e se houve ou não algum tipo de sistema de apoio dentro do Paquistão que permitiu que ele ficasse lá”, disse Brennan.

Em artigo publicado no jornal Washington Post, o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, confirmou nesta segunda-feira que a operação que matou Bin Laden não teve participação paquistanesa, mas negou que seu país tenha falhado em prevenir que extremistas usassem seu território.

"A guerra ao terror é tanto americana quanto é paquistanesa", afirmou Zardari.