Premiê de Israel elogia EUA e saúda 'dia histórico' por morte de Bin Laden

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu (Reuters) Direito de imagem REUTERS
Image caption Netanyahu parabenizou soldados e agentes de inteligência dos EUA

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, parabenizou o governo americano pela eliminação de Osama Bin Laden e chamou a data da morte do líder da Al-Qaeda de "dia histórico".

Para o premiê, a morte do líder da Al-Qaeda significa um "triunfo dos valores compartilhados pelos países democráticos".

Logo depois da divulgação da notícia sobre a morte de Bin Laden, o premiê israelense publicou um anuncio oficial parabenizando os soldados e agentes de Inteligência dos Estados Unidos que participaram da operação no Paquistão.

Israel marca, nesta segunda-feira, o Dia do Holocausto. Neste dia, todas as atenções da mídia local estão voltadas à memória dos seis milhões de judeus exterminados pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Nestas circunstâncias, a notícia sobre Bin Laden acabou ocupando o segundo lugar no noticiário.

"O Estado de Israel compartilha a alegria do povo americano neste dia histórico", declarou Netanyahu.

O ministro da Defesa, Ehud Barak, saudou o presidente americano Barack Obama, o ministro da Defesa, Robert Gates e os comandantes das Forças Armadas americanas.

"Trata-se de um feito importante dos Estados Unidos na luta contra o terror internacional", disse Barak, que elogiou a "determinação e a coragem" da operação que levou à morte de Bin Laden.

Luta contra o terror

De acordo com o ministro, a luta contra o terror ainda não terminou e "será vencida pelos esforços conjuntos das principais democracias do mundo".

O ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman, alertou para a possibilidade de represálias por parte de organizações ligadas à Al-Qaeda. "Não há dúvida de que os próximos dias serão criticos e que todos os grupos do Jihad global vão tentar vingar a morte de Bin Laden", afirmou Lieberman.

Para a líder da oposição, Tzipi Livni, do partido Kadima, a morte do líder da Al-Qaeda gera uma mudança na "equação da luta do mundo livre, liderado pelos Estados Unidos, contra o terror".

A Casa Branca tinha informado o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Michael Oren, sobre a morte de Bin Laden antes do anúncio do presidente Obama.

A Autoridade Palestina também reagiu positivamente à morte de Osama Bin Laden.

De acordo com o porta voz da AP, Ghasan Hatib, a morte de Bin Laden "vai contribuir para a paz mundial".

"É necessário continuar combatendo o discurso e os métodos violentos defendidos por Bin Laden", afirmou o porta-voz palestino.

O ex-chefe do Mossad, Efraim Halevy, afirmou que a operação americana foi "perfeita", pois alcançou o objetivo de matar Bin Laden sem baixas americanas e sem ferir pessoas inocentes nas proximidades do local do ataque.

Em entrevista à radio estatal de Israel, Halevy mencionou a possibilidade de que grupos ligados à Al-Qaeda ataquem instituições judaicas ou representações israelenses ao redor do mundo, em represália à morte de seu lider.

"Devemos nos orgulhar de sermos parceiros da maior potência do mundo, mas também devemos saber que esta parceria é complexa e envolve riscos", disse Halevy.

Efraim Halevy também destacou o "papel importante" do Hamas, no combate à Al-Qaeda.

"Vale lembrar que, aqui na nossa região, o grupo que luta mais energicamente contra a Al-Qaeda é o Hamas", afirmou, lembrando que a Al-Qaeda foi a primeira organização que condenou o Hamas, depois de o grupo assinar um acordo de reconciliação com o Fatah, na Arábia Saudita, em fevereiro de 2007.

Naquela época, o número dois da Al-Qaeda, Ayman Al Zawahiri, qualificou o Hamas como "herege" por ter concordado em criar um governo de união com a facção secular Fatah.