Após sofrer ataques, ONU retira funcionários estrangeiros da Líbia

Embaixada britânica em Trípoli após ataque
Image caption Embaixada britânica em Trípoli foi totalmente queimada pelo ataque

A ONU anunciou a retirada de todos os seus funcionários estrangeiros da capital da Líbia, Trípoli, após ataques de grupos pró-governo contra seus escritórios.

Os prédios da ONU e algumas missões diplomáticas estrangeiras foram alvos de ataques de uma multidão após o bombardeio da Otan que provocou a morte do filho mais novo do líder do país, coronel Muamar Khadafi, na noite de sábado.

A ONU diz que todos os seus funcionários estrangeiros foram levados à Tunísia e que a decisão vai ser revista na semana que vem.

A Grã-Bretanha já havia expulsado o embaixador líbio em Londres após a embaixada britânica em Trípoli ser atacada.

Uma equipe da BBC em Trípoli disse que a embaixada britânica foi completamente queimada.

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, disse que o embaixador líbio, Omar Jelban, recebeu uma ordem para deixar o país em 24 horas.

Segundo ele, ao não proteger as missões diplomáticas no país, o regime de Khadafi estava “mais uma vez descumprindo suas responsabilidades e obrigações internacionais”.

O Ministério das Relações Exteriores da Itália condenou os “atos de vandalismo” contra a embaixada do país, descritas como “graves e odiosas”. A Itália, que recentemente se uniu à missão da Otan na Líbia, já havia fechado sua embaixada em março.

Também houve protestos em frente à embaixada americana em Trípoli.

Multidão furiosa

Direito de imagem Reuters
Image caption Governo líbio disse que Khadafi estava em edifício atacado, mas não se feriu

Um funcionário da ONU disse que o governo líbio se desculpou pelos ataques contra seus edifícios, responsabilizando a multidão furiosa pelos danos provocados.

A maioria dos governos ocidentais já havia retirado seus funcionários de Trípoli, quando a coalizão internacional começou seus bombardeios aéreos contra a Líbia, em março.

Os bombardeios começaram após o Conselho de Segurança da ONU aprovar uma resolução autorizando ações militares para proteger a população civil líbia contra ataques promovidos por forças leais a Khadafi.

O governo líbio era acusado de reprimir com violência protestos populares de oposição, que haviam sido inspiradas pela onda de manifestações pró-democracia no Oriente Médio.

Na noite do último sábado, o governo líbio disse que Saaif al-Arab Khadafi, filho mais novo do líder do país, e três de seus netos haviam sido mortos em um ataque da Otan em Trípoli.

Jornalistas estrangeiros foram levados ao local, no complexo Bab al-Aziziya, onde vive Khadafi, para verificar os danos provocados ao edifício.

A Otan afirmou que o alvo do ataque era um edifício de “comando e controle” e que todos os alvos da organização têm “natureza militar”.

Críticas

O porta-voz do governo líbio Moussa Ibrahim disse que o coronel Khadafi e sua mulher estavam no edifício atacado no momento do bombardeio, mas que não ficaram feridos.

Segundo ele, o bombardeio foi contra a lei internacional e “uma operação direta para assassinar o líder deste país”.

O correspondente da BBC Christian Fraser, que esteve no local para ver os danos provocados pelo ataque, diz que é difícil imaginar que Khadafi pudesse estar no local no momento do bombardeio e ainda assim ter escapado sem ferimentos.

O governo russo expressou “sérias dúvidas” de que o Ocidente não estaria direcionando seus ataques a Khadafi e sua família.

“As afirmações dos membros da coalizão de que os bombardeios sobre a Líbia não têm a destruição física de Muamar Khadafi e de membros de sua família como seu objetivo provoca sérias dúvidas”, afirmou um comunicado do Ministério das Relações Exteriores russo.

Na cidade de Benghazi, principal base dos opositores, a notícia da morte do filho de Khadafi foi recebida com tiros ao ar para celebração, mas também houve expressões de ceticismo.

Mahmoud Shammam, porta-voz do Conselho Nacional de Transição, estabelecido pelos opositores, disse à TV Al-Jazeera acreditar que a divulgação das mortes era uma “manobra para angariar a simpatia popular”.

“Não sabemos se é verdade ou não, porque Khadafi é um mentiroso”, afirmou à agência de notícias AP Khaled al-Urfi, morador da cidade de Misrata, também tomada pelos rebeldes. “Só vou acreditar se vir os corpos na minha frente”, disse.

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