Investimento externo no Brasil teve aumento recorde de 87%, diz Cepal

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Image caption Expectativa é de que a região atraia ainda mais investimentos em 2011

O Brasil foi o país da América Latina que recebeu o maior volume de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) em 2010, com aumento de 87% em relação ao ano anterior, disse nesta quarta-feira a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

"O Brasil foi o maior receptor (da região) e onde as entradas de IED tiveram um aumento recorde de 87%, passando de US$ 25,9 bilhões em 2009 (R$ 41,3 bilhões) para US$ 48,4 bilhões (R$ 76,9 bilhões) em 2010", disse o comunicado da Cepal.

O México foi o segundo país a ser destino destes investimentos (US$ 17,7 bilhões), seguido de Chile (US$ 15,1 bilhões), Peru (US$ 7,3 bilhões), Colômbia (US$ 6,8 bilhões) e Argentina (US$ 6,2 bilhões).

"A região mostrou forte resistência à crise de 2008 e a seus efeitos em 2009. Por isso, em 2010, os IED surgiram com mais força. E o Brasil foi, sem dúvida, destaque como receptor destes investimentos", disse à BBC Brasil o economista da Cepal Miguel Pérez.

O Brasil também foi o país da região que realizou o segundo maior volume de investimentos no exterior, US$ 11,5 bilhões, atrás do México, que investiu US$ 12,7 bilhões.

Expectativa

Em seu relatório, divulgado na Cidade do México, a Cepal destacou que a América Latina e o Caribe formaram a região que registrou a maior taxa de crescimento de IED, tanto de recepção como de emissão de investimentos, no mundo.

Os números mostraram, segundo a Cepal, "grande dinamismo" das empresas transnacionais latino-americanas e caribenhas, conhecidas como translatinas.

No documento, os especialistas do organismo ressaltaram ainda que o contexto atual é de queda desses investimentos nos países desenvolvidos e de aumento na América Latina e no Caribe.

O investimento estrangeiro para os países desenvolvidos foi de -7%. Ao mesmo tempo, o IED aumentou 10% nos países em desenvolvimento. "A América Latina e o Caribe aumentaram sua participação como região receptora de 5% para 10% entre 2007 e 2010."

A expectativa é que esta tendência seja mantida em 2011, com aumento entre 15% e 25% dos IED em relação ao ano anterior.

China

A Cepal informou que os Estados Unidos continuam sendo o principal investidor na região, responsável por 17% do IED recebido em 2010, seguido de Países Baixos (13%), China (9%), Canadá e Espanha (ambos com 4%).

No entanto, a Cepal enfatizou que as empresas chinesas vêm aumentando a presença na região. Em 2010, elas investiram US$ 15 bilhões na América Latina e no Caribe, através, principalmente, de fusões e aquisições.

"Mais de 90% dos investimentos chineses confirmados na América Latina foram direcionados para a extração de recursos naturais. (...) No médio prazo, espera-se que as empresas transnacionais desse país continuem chegando à região e que se diversifiquem para os setores de infraestrutura e manufaturas", diz o texto.

Pérez explica que "os investimentos da China estão presentes, principalmente, no setor de hidrocarbonetos, como o pré-sal no Brasil e o cobre no Peru. Percebemos maior interesse dos investidores chineses principalmente pelo Brasil e pela Argentina. E esses investimentos tendem a continuar".

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