Paquistão anuncia inquérito sobre falhas na busca por Bin Laden

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Image caption Em nota, Exército ressaltou vitórias contra a Al-Qaeda no Paquistão

Autoridades paquistanesas disseram nesta quinta-feira ter ordenado a abertura de um inquérito para apurar a responsabilidade pelo que admitiram ser “falhas” do serviço secreto em localizar Osama Bin Laden antes das forças americanas.

Em um comunicado, o Exército do país admite erros na tentativa de determinar a localização de Bin Laden e confirma que foi determinado o início de uma investigação.

A nota reforça declarações feitas anteriormente pelo embaixador paquistanês para os Estados Unidos, Husain Haqqani.

"Pisamos na bola. E vai haver um inquérito. Precisamos chegar ao cerne disto. Como aconteceu? Mas o mais importante agora é assegurar ao povo americano que o Paquistão, enquanto país, não olhava favoravelmente para Osama Bin Laden", disse o embaixador.

"Osama Bin Laden não poderia estar lá sem uma rede de apoio. Os paquistaneses precisam se preocupar sobre ele ter escolhido o Paquistão para morar?", questionou. "Obviamente ele se sentiu confortável lá e isto é algo que nos preocupa muito e lidaremos com a questão."

Redução

No comunicado desta quinta-feira, o Exército paquistanês pediu também que a presença militar americana no país seja reduzida ao "mínimo essencial", mas não detalhou o tamanho da redução que considera aceitável nem quando ela deveria ocorrer.

O órgão também advertiu os Estados Unidos contra a realização de novas operações como a que matou Bin Laden dentro do território paquistanês sem o consentimento prévio das autoridades.

O porta-voz do Exército paquistanês, Ashfaq Kayani, disse "ter deixado bem claro que qualquer outro ato similar de violação da soberania levaria a uma revisão da cooperação militar do serviço secreto com os EUA".

Os militares paquistaneses também reclamaram que o serviço secreto americano não compartilhou informações sobre a operação contra Bin Laden com a Inteligência do país.

Após a ação em Abbottabad, foram capturadas três das esposas do líder da Al-Qaeda e um total de 13 crianças. Os militares paquistaneses disseram que atualmente estão tentando determinar quantas das crianças seriam filhas do líder da Al-Qaeda.

O Exército ressaltou ainda que o serviço secreto paquistanês já "prendeu ou matou cerca de cem integrantes de alto escalão da Al-Qaeda, com ou sem o apoio da CIA (a agência de inteligência americana)".

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