Nova versão sobre morte de Bin Laden volta a contradizer Casa Branca

Soldado paquistanês guarda casa onde Bin Laden foi morto (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Mensageiro de Bin Laden teria resistido a ofensiva dos EUA em mansão

Uma nova informação divulgada pela imprensa americana nesta quinta-feira voltou a contradizer relatos anteriores da Casa Branca sobre a operação que levou à morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, no último domingo.

Segundo jornais americanos, fontes do governo afirmaram que, ao contrário do informado anteriormente, apenas uma pessoa – o mensageiro de Bin Laden – teria atirado contra as forças especiais americanas que invadiram o esconderijo do líder da Al-Qaeda no Paquistão e o mataram.

O mensageiro estaria em um andar diferente da mansão onde Bin Laden vivia escondido – na cidade de Abbottabad – e teria sido morto pelas forças americanas no início da operação.

Essas novas informações representam mais mudanças no relato sobre como transcorreram os cerca de 40 minutos da operação.

Desde a noite de domingo, quando o presidente Barack Obama anunciou a morte do líder da Al-Qaeda em cadeia nacional, membros da Casa Branca já mudaram repetidas vezes sua versão sobre a operação.

Troca de tiros

Na segunda-feira, o principal assessor do governo para assuntos de segurança nacional e contraterrorismo, John Brennan, disse que Bin Laden foi morto com um tiro na cabeça ao resistir à captura.

“Se nós tivéssemos a oportunidade de pegar Bin Laden vivo, se ele não apresentasse qualquer ameaça, os indivíduos envolvidos (na operação) estavam aptos e preparados para fazer isso”, afirmou.

Brennan disse que o líder da Al-Qaeda resistiu e houve troca de tiros com as forças americanas que invadiram seu esconderijo. Afirmou ainda que Bin Laden tentou usar uma de suas esposas como escudo, e a mulher acabou morta na ação.

No dia seguinte, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, mudou o relato, e disse que Bin Laden não estava armado.

De acordo com Carney, porém, mesmo desarmado Bin Laden resistiu à captura, e várias outras pessoas presentes no local estavam armadas, com “intensa” troca de tiros.

O porta-voz afirmou ainda que uma das esposas de Bin Laden confrontou as forças americanas e foi alvejada na perna, mas não morreu, contrariando a versão de Brennan.

Legalidade

As versões contraditórias vêm aumentando os questionamentos sobre a legalidade da operação que levou à morte de Bin Laden, acusado de ser o mentor dos atentados de 11 de setembro de 2001, que mataram quase 3 mil pessoas em Nova York e Washington.

Além desses ataques, Bin Laden era acusado de ser o mentor de diversos outros atentados contra alvos americanos e ocidentais e ocupava o primeiro lugar na lista dos mais procurados pelos Estados Unidos.

Na quarta-feira, ao ser questionado sobre detalhes da operação em audiência no Congresso, o secretário de Justiça, Eric Holder, defendeu sua legalidade e disse que foi um ato legítimo de autodefesa.

“Ele era o líder da Al-Qaeda, uma organização que conduziu os ataques de 11 de Setembro. Ele admitiu seu envolvimento. A operação contra Bin Laden foi justificada como um ato de autodefesa nacional”, disse Holder, em audiência na Comissão de Justiça do Senado.

Nesta quinta-feira, porém, a alta comissária de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, pediu ao governo americano “a divulgação completa dos fatos precisos” sobre a morte do líder da Al-Qaeda para estabelecer a legalidade da operação.

“As Nações Unidas condenam o terrorismo, mas também têm regras básicas sobre como deter atividades terroristas. Isso deve ser feito respeitando as leis internacionais”, disse a comissária.

A ONG Anistia Internacional também já havia se manifestado a respeito da operação, ao dizer que Bin Laden deveria ter sido capturado vivo, já que estava desarmado.

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