Restos mortais de segunda vítima do voo da Air France são resgatados

Caixa-preta do voo AF 447 (AP) Direito de imagem AP
Image caption Caixas-pretas foram resgatadas durante a atual fase de buscas

A polícia militar francesa informou nesta sexta-feira que os restos mortais de uma segunda vítima do voo AF 447 da Air France, que caiu no Atlântico em 2009, foram resgatados.

A direção da polícia militar francesa disse à BBC Brasil que não se trata de um corpo inteiro, diferentemente do resgate ocorrido na quinta-feira.

Mas, como no caso do primeiro corpo, que estava preso a um assento do avião, amostras desses restos mortais foram coletadas para a realização de testes de DNA para tentar identificar a vítima, diz a Direção Geral da Polícia Militar francesa (DGGN, na sigla em francês), em um comunicado.

Essas amostras serão enviadas à França na próxima semana, juntamente com as duas caixas-pretas do avião, e serão analisadas por um laboratório especializado, que será escolhido pela Justiça francesa.

"Os procedimentos aplicados pelo Escritório de Investigações e Análises (BEA, na sigla em francês) e pelos investigadores da polícia militar, que permitiram retirar um corpo inteiro preso ao assento como qualquer outro elemento disperso no solo (marinho) se revelaram conclusivos do ponto de vista técnico", diz o comunicado.

A polícia francesa informou ainda que as equipes de resgate dos corpos serão reforçadas durante a troca da equipagem do navio, prevista em 20 de maio.

"Uma dezena de especialistas da polícia militar vai proceder, durante cerca de 15 dias, ao resgate de todos os corpos e objetos pessoais que poderão ser levados à superfície", informa a DGGN.

Condições difíceis

A polícia militar francesa, que realiza as operações de resgate das vítimas do acidente cumprindo uma decisão da Justiça do país, afirma ainda que as operações são realizadas em "condições difíceis e com o cuidado de preservar a dignidade das vítimas".

Mas os investigadores têm dúvidas sobre se conseguirão identificar as vítimas resgatadas.

O estado de decomposição dos corpos, submersos a 3,9 mil metros de profundidade há quase dois anos, pode criar dificuldades técnicas para extrair o DNA dos ossos, disse à BBC Brasil o coronel François Daust, diretor do Instituto de Pesquisas Criminais da Polícia Militar francesa.

Ele afirma que os investigadores tentarão "resgatar todos os corpos encontrados", embora a operação seja "muito complicada" e sem chances de sucesso a cada tentativa.

Segundo Daust, os corpos, em estado frágil, podem não resistir às manipulações do robô Remora 6000, usado no resgate, e também às mudanças de temperatura e de pressão da água quando o corpo é içado, causando o desmantelamento dos ossos.

O número de corpos resgatados passou para 51. Logo após a catástrofe, 50 haviam sido encontrados, sendo 20 deles de brasileiros.

As duas caixas-pretas do avião da Air France encontradas e também as amostras coletadas do corpo e dos restos mortais deverão chegar a Guiana Francesa na próxima terça-feira, antes de ser enviadas à França de avião.

O navio francês La Capricieuse, que irá recuperar as caixas-pretas a bordo do Ile de Sein, fez uma escala na quinta-feira em Fortaleza e se dirige à área de buscas dos destroços, a cerca de 1,1 mil quilômetros da costa brasileira.

O voo AF 447 da Air France caiu no Atlântico em 31 de maio de 2009, matando 228 pessoas.

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