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Campanha de desarmamento começa no Rio com presença tímida de voluntários

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Após solenidade para inaugurar a Campanha Nacional do Desarmamento no Palácio da Cidade, o primeiro dia de recolhimento de armas na ONG Viva Rio, na capital carioca, foi marcado pela presença forte de políticos, jornalistas e representes de entidades civis, mas ainda tímida de voluntários.

De acordo com o Viva Rio, cem armas foram entregues no primeiro dia. Quase 80 destas vieram das Centrais de Abastecimento do Estado do Rio (Ceasa-RJ), e estavam exibidas logo na entrada para encorajar voluntários.

Campanha de desarmamento no Rio

Cem armas foram entregues e destruídas no 1º dia de campanha

As demais foram entregues ao longo do dia por pessoas como Marilda Dantas de Pádua, de 85 anos, que viu a campanha como uma “oportunidade” para se livrar da arma que seu marido, falecido há sete meses, tinha desde antes do casamento, 62 anos atrás.

“Ele era engenheiro civil e comprou para se defender porque ia para os acampamentos abrir estradas de ferro, e tinha onça, cobra, eram lugares perigosos”, diz. O único tiro disparado pelo revólver de calibre 32 foi para matar uma cobra em um acampamento em Minas Gerais.

“Depois disso, ela ficou guardada e não teve mais nenhuma utilidade”, diz. “É um perigo ter uma arma em casa, né? Achei melhor ficar livre dela.”

Aeronauta aposentado, Jail Serra, de 79 anos, diz nunca ter usado a arma que herdou de seu sogro, e quis entregá-la por temer a curiosidade do neto de sete anos, que mora com ele.

“Com a campanha, vim devolvê-la, porque poderia causar uma grande tragédia. Assim, é um problema a menos em casa”, afirma ele, que considera e campanha de “enorme” importância. “As pessoas têm uma falsa ideia de que uma arma traz segurança. A única arma que traz segurança é a paz”, diz.

'Livre'

Serra saiu do Viva Rio sentindo-se “livre”e com um comprovante para receber R$ 100 pela arma no Banco do Brasil. O Ministério da Justiça vai destinar cerca de R$ 10 milhões às indenizações, que podem variar de R$ 100 a R$ 300, de acordo com o armamento deixado.

O som de marretadas ecoou no Viva Rio durante a tarde. As armas recebidas eram levadas para uma mesa no pátio, e policiais, representantes da ONG e políticos se alternaram com a marreta de ferro, mirando para inutilizar as armas.

O chefe da assessoria jurídica da Ceasa, Luciano Alvarenga, diz que a empresa estatal aproveitou a campanha para se desfazer de 78 armas – entre revólveres, pistolas e espingardas – da época em que ainda fazia parte de sua própria segurança, hoje toda terceirizada.

“Apesar da boa vontade da Polícia Federal, os trâmites anteriores eram extremamente burocráticos, tinha que preencher guias, recolher documentos. Esse é um sistema muito mais ágil e simplificado”, afirma ele.

Cerca de dez familiares e amigos das vítimas da Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo, participaram da inauguração da campanha para marcar sua adesão à causa.

Inês Moraes da Silva, de 47 anos, vestia uma camiseta com a estampa da foto do filho, Igor, sorridente e vestindo uma camisa do Flamengo. Aos 13 anos, ele foi uma das 12 crianças assassinadas na escola um mês atrás. Inês diz esperar que o número de armas em circulação diminua.

“Através de uma arma dessas que o meu filho morreu. Se o homem não tivesse uma arma na sala, ele podia até bater, empurrar, mas o meu filho não ia morrer. Ele ia correr”, diz.

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