Acidente de barco pode ter matado centenas de refugiados na costa da Líbia

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Image caption Itália é principal destino de refugiados que deixam o norte da África

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) informou que foram resgatados os corpos de pelo menos 16 pessoas que teriam morrido depois que um barco levando até 600 refugiados afundou perto da costa da Líbia na sexta-feira, deixando centenas de desaparecidos.

Sobreviventes disseram ao órgão da ONU que o navio, que teria saído da capital líbia, Trípoli, se partiu. Eles também afirmaram ter visto vários corpos no mar, incluindo de bebês.

Uma mulher somali disse à Organização Internacional para a Migração que conseguiu se salvar nadando em direção à terra firme, mas que a sua filha de 4 meses de idade teria se afogado.

Um diplomata na embaixada da Somália em Trípoli disse acreditar que 50 corpos seriam resgatados e que cerca de 200 imigrantes somalis podem ter sobrevivido.

Segundo o correspondente da BBC em Roma Duncan Kennedy, a guarda costeira italiana, que realiza várias patrulhas na costa do Mar Mediterrâneo, disse que não tem conhecimento do suposto acidente.

Lampedusa

Segundo o Acnur, cerca de 800 pessoas já teriam morrido afogadas tentando escapar do conflito entre rebeldes e as forças leais ao governo do coronel Muamar Khadafi na Líbia.

Este número inclui pelo menos 250 pessoas a bordo de um navio que afundou em abril. No sábado passado, outro barco levando mais de 500 pessoas bateu em pedras ao atracar na ilha italiana de Lampedusa.

A Itália está tentando conter o fluxo de imigrantes vindos do norte da África, mas cerca de 30 mil pessoas da Líbia e da Tunísia já chegaram ao país desde que a crise no Oriente Médio e no norte da África começou, em janeiro.

O correspondente da BBC afirma que a maioria dos líbios que chegam em Lampedusa pagam a contrabandistas para levá-los à ilha.

Otan

Também nesta segunda-feira, a Otan negou a informação de que um de seus porta-aviões deixou dezenas de refugiados do norte da África morrerem de fome e de sede no mar, em março passado.

Segundo o jornal britânico The Guardian, o barco, saído de Trípoli em direção a Lampedusa com 72 passageiros a bordo, ficou 16 dias à deriva. Sem obter resgate, 61 imigrantes, incluindo diversas crianças pequenas, morreram.

A publicação afirma que a tripulação do navio emitiu alarmes para a guarda costeira italiana, além de fazer contato com um helicóptero militar e com um porta-aviões da Otan, em 29 e 30 de março.

De acordo com a correspondente da BBC em Bruxelas Bethany Bell, a aliança militar ocidental alega que são errôneas quaisquer acusações de que a sua embarcação tenha avistado o navio e o ignorado.

A Otan diz que apenas um porta-aviões estava sob seu comando à época do incidente, que estaria operando a mais de 100 milhas náuticas (cerca de 180 km) da costa, e afirma que seus navios têm conhecimento de suas responsabilidades quanto a salvar vidas no mar.

Crise humanitária

Na noite desta segunda-feira, a chefe de assuntos humanitários da ONU, Valerie Amos, pediu no Conselho de Segurança do organismo por uma interrupção nos bombardeios à Líbia, de forma a aliviar a crise humanitária no país.

Em cidades como Misrata, um dos principais palcos do conflito, Amos disse que a situação é “desesperadora” e que não há água e comida para a população.

Ela agregou que os conflitos e as sanções estão paralisando o país e pediu ao Conselho de Segurança a garantia de respeito à lei internacional por todas as partes envolvidas no conflito.

Segundo Amos, o uso de minas terrestres e os bombardeios aéreos mostram “desrespeito” aos civis.

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