Grupo de direitos humanos diz ter provas de 750 mortes na Síria

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Image caption Vídeo amador mostra fumaça em um prédio na cidade síria de Deraa

Um grupo de defesa dos direitos humanos afirma que tem provas documentais de mais de 750 pessoas mortas pelas forças de segurança da Síria desde o início dos protestos contra o governo do país, em março.

A Organização Nacional pelos Direitos Humanos na Síria disse à agência Associated Press que possui uma lista com nomes, idades, causas das mortes e locais onde os manifestantes foram mortos.

O líder da Organização, Ammar Qurabi, afirmou à AP que milhares de sírios foram detidos nos últimos dois meses, devido aos protestos contra o presidente Bashar al-Assad, que está no poder há 11 anos. Segundo Qurabi, 9 mil ativistas antigoverno continuam presos.

Tanques

Testemunhas na Síria afirmaram nesta terça-feira que vários tanques se aproximaram da cidade de Hama, na região central do país, palco de protestos contra o governo nas últimas semanas.

O corrrespondente da BBC em Beirute (Líbano) Jim Muir afirma que a repressão a manifestantes, com soldados e tanques, também está ocorrendo em Baniyas, no litoral oeste da Síria, em Deraa, no sul, e mesmo nos subúrbios da capital, Damasco.

Ativistas afirmam que algumas pessoas foram presas em Baniyas e em Homs, na região central do país.

A ONU expressou preocupação com a situação na cidade de Deraa, no sul da Síria, onde forças do governo são acusadas de ter matado dezenas de pessoas.

Segundo as Nações Unidas, uma missão humanitária que teria sido aprovada por Assad uma semana semana atrás não conseguiu acesso à cidade.

Ao mesmo tempo, a agência da ONU para refugiados palestinos disse que não conseguiu entregar suprimentos médicos de emergência para os cerca de 30 mil refugiados na região de Deraa.

Deraa está isolada há duas semanas, depois que tropas e tanques foram enviados à cidade para reinstaurar o controle do governo.

Na semana passada, o governo sírio anunciou que iria retirar as tropas de Deraa, mas a cidade permanece cercada.

'Fim da história'

Em uma entrevista ao jornal The New York Times, a assessora de mídia da Presidência da Síria, Bouthaina Shaaban, disse que "o momento mais perigoso" já passou em seu país. "Agora estamos testemunhando o fim desta história", afirmou.

Shaaban disse ao jornal que os rebeldes do país são uma "combinação de fundamentalistas, extremistas, contrabandistas e pessoas que são ex-condenados e que estão sendo usadas para causar confusão".

Para ela, "não se pode ser muito gentil com pessoas que estão liderando uma rebelião armada".

A Síria não vem permitindo a entrada de jornalistas estrangeiros no país, o que torna mais difícil a verificação independente das informações.

Os protestos contra o governo, inspirados pela onda de manifestações pró-democracia no Oriente Médio, representam o mais sério desafio de Assad desde que ele assumiu o poder, em 2000, após a morte do pai, Hafez al-Assad.

Sanções

Nesta terça-feira, a União Europeia (UE) impôs um embargo à venda de armas à Síria, em resposta à forte repressão governamental aos protestos no país, além de congelar os bens e cancelar os vistos de viagem de 13 autoridades do país.

No topo da lista está o irmão mais novo do presidente, Maher al-Assad, descrito como "principal supervisor da violência contra os manifestantes".

Também estão na relação o chefe do serviço de inteligência sírio, Ali Mamluk, o novo ministro do Interior, Muhammad Ibrahim al-Shaar, e o empresário de mídia Rami Makhlouf, tido como principal aliado de Bashar Al-Assad. O nome do presidente não consta da lista da UE.

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