Ataques do Exército a cidades sírias deixam '20 mortos'

Image caption Tanques entram em Homs, ocupada pelo Exército desde março

Tanques do Exército atacaram nesta quinta-feira a terceira maior cidade da Síria, Homs, deixando ao menos nove mortos e dezenas de feridos, de acordo com testemunhas.

Ativistas disseram que foram ouvidos disparos e explosões em Bab Amr, que é predominantemente residencial, e em vilarejos nos arredores.

Cidades próximas a Deera, no sul do país, também foram alvo de ofensivas das forças de segurança. Segundo ativistas 11 civis foram mortos na região.

Em Aleppo, segunda maior cidade do país, há relatos de que milhares de estudantes saíram às ruas em uma manifestação na noite desta quarta-feira e foram reprimidos com cacetetes pelas forças de segurança.

Dezenas de pessoas foram mortas na Síria nos últimos dias, e estima-se que centenas tenham sido presas pelas autoridades.

O governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, diz que os manifestantes são "terroristas" que matam policiais e soldados. Já os ativistas dizem que muitos soldados estão sendo mortos pelo próprio Exército, por se recusarem a atirar contra civis.

Diante da pressão internacional, a Síria desistiu de tentar um assento no Conselho de Direitos Humanos da ONU. O cargo agora vai ser disputado pelo Kuait.

O sercretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo a Assad para que ele “desista de usar força excessiva e prisões em massa para pôr fim à manifestações pacíficas”.

Cerco

Um dos moradores de Homs disse à BBC que o distrito está cercado há quatro dias, e que os moradores da região estão sem acesso à água, eletricidade ou atendimento médico. Segundo ele, alguns moradores teriam resistido à ação do Exército com rifles de caça.

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Testemunhas dizem que pontos de checagem foram montados ao redor do distrito. Nenhuma das informações pode ser verificada em fontes independentes, pois jornalistas estrangeiros não têm permissão para entrar no país.

Homs é mais uma cidade ocupada pelo Exército desde março, quando começou a atual onda de protestos na Síria. O Exército está presente no norte da capital Damasco, em Baniyas, que fica no litoral do Mediterrâneo, e em Deraa, no sul do país. Deraa está isolada há duas semanas.

Há indícios de que forças de segurança estejam agindo também em outras cidades. O correspondente da BBC no Líbano, Jim Muir, diz que manifestantes também foram alvos da polícia na cidade de Deir ez-Zor, no leste do país.

Mortes

Um grupo de defesa dos direitos humanos afirma que tem provas documentais de que mais de 700 pessoas – 621 civis e 120 soldados ou policiais – foram mortas pelas forças de segurança da Síria desde o início dos protestos contra o governo do país, em março.

A Organização Nacional pelos Direitos Humanos na Síria disse que 300 pessoas que haviam sido presas na cidade de Baniyas foram soltas. O grupo afirma que os serviços básicos – como água, luz e telefone – já foram restabelecidos na cidade, que havia sido alvo de ataque do Exército na semana passada. Baniyas continua com tanques na rua, segundo a entidade.

Outro grupo sírio de direitos humanos, o Sawasiah, disse que 800 civis foram mortos. Autoridades sírias desmentem o número e dizem que 100 soldados foram mortos.

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