Conheça a complexa rede familiar de Bin Laden

Desde a ofensiva americana contra a mansão de Osama Bin Laden no Paquistão, em 1º de maio, três de suas viúvas e um número incerto de seus filhos estão detidos por autoridades paquistanesas. O gráfico abaixo mostra alguns detalhes sobre a complexa rede familiar de Bin Laden e seus supostos laços com a Al-Qaeda.

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Rede familiar

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Durante os anos que passou fugindo da captura americana, Osama Bin Laden aparentemente manteve sua família por perto.

Ainda que divorciado de duas esposas, três outras mulheres viviam com ele na mansão em Abbottabad, Paquistão, onde ele foi morto.

Uma delas, Amal al-Sadah, supostamente levou um tiro na perna ao se deparar com as forças especiais americanas que invadiram seu quarto. Autoridades paquistanesas agora têm ela sob custódia, bem como Kairiah Sabar e Siham Sabar, além de filhos delas com Bin Laden.

O quarto filho de Bin Laden, Omar, casou-se com uma britânica em 2006 e em diversas declarações tentou se distanciar das ideologias de seu pai.

Mas acredita-se que dois de seus irmãos, Saaf e Hamza, estejam seguindo os passos do pai como membros da Al-Qaeda. O paradeiro de ambos é desconhecido.

Segredos de família

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Image caption Mulheres de Bin Laden são uma valiosa fonte de informações

A ação americana que resultou na morte de Osama Bin Laden, em 1º de maio, deixou para trás uma intrincada teia de complicações e dúvidas.

A principal delas: quem tem acesso às parentes de Bin Laden que sobreviveram à ofensiva dos EUA e às informações que elas possuem?

Os EUA supostamente tentaram tirar essas sobreviventes do Paquistão, juntamente com o corpo de Bin Laden, mas a perda de um helicóptero durante a operação fez com que testemunhas-chave tivessem de ser deixadas sob custódia paquistanesa.

Após a ofensiva, têm surgido informações conflitantes na mídia – vindas tanto de americanos quanto de militares paquistaneses – a respeito de quantas pessoas moravam na mansão, de quem morreu e quem sobreviveu e quanto a se Bin Laden enfrentou ou não as forças americanas.

Custódia

Agora, há relatos distintos quanto a se os americanos tiveram ou terão acesso às três viúvas de Bin Laden e aos demais moradores da mansão.

Informações inicias eram de que os americanos teriam requisitado esse acesso. Autoridades paquistaneses, por outro lado, tinham dito que não chegaram a receber um pedido formal.

Mas a rede americana CNN relatou recentemente, citando fontes dos EUA e do Paquistão, que agentes americanos interrogaram as três viúvas de Bin Laden, e que elas teriam se comportado de forma "hostil" em relação a estes agentes.

Segundo essas fontes, agentes paquistaneses também participaram do interrogatório.

Não se sabe ao certo como os paquistaneses encaram as sobreviventes da ação americana. Analistas acreditam que Islamabad não tratará as mulheres e crianças sob sua custódia como suspeitas, mas tampouco como vítimas.

Não há acusação formal contra nenhuma delas, ainda que possam ser acusadas de residência ilegal em um país estrangeiro.

Mas essas sobreviventes têm valor pelo que sabem.

Analistas que acreditam que o Paquistão desconhecia a presença de Bin Laden em seu território acham que as sobreviventes podem fornecer muitas informações sobre sua rede de apoio em Abbottabad. Mas estes analistas são minoria.

A maioria dos especialistas suspeita que os paquistaneses tinham algum grau de conhecimento sobre onde Bin Laden se escondia. Eles dizem que o Paquistão estaria preocupado com o que as sobreviventes sabem de fato e que elas poderiam divulgar informações que prejudiquem esforços de inteligência paquistaneses.

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Image caption O que os moradores poderiam contar sobre o ocorrido na casa de Bin Laden?

Os especialistas acreditam que a libertação das sobreviventes dependerá de o quanto elas sabem e de sua intenção de seguir as orientações que devem estar recebendo de autoridades paquistanesas.

Interesse americano

Independentemente do valor da inteligência que pode ser obtida com as sobreviventes, não há dúvidas do interesse americano em falar com elas.

Como explicaram autoridades paquistanesas sob condição de anonimato, a esposa mais jovem de Bin Laden, que estava com ele no momento da ação americana, disse que a família vivia em Abbottabad havia cinco anos.

Ela terá informações valiosas sobre a vida de Bin Laden durante esse período, sobre pessoas que tenham eventualmente feito contato com o extremista e ajudado-o em questões domésticas, de saúde e de educação para as crianças.

Ela também talvez possa explicar por que a geralmente onipresente polícia paquistanesa manteve distância da mansão de Bin Laden e por que as autoridades nunca foram ao local para coletar impostos, que aparentemente não foram pagos durante anos.

Muitos analistas acreditam que os EUA poderiam entender o funcionamento da rede de apoio a Bin Laden – inclusive no que diz respeito à Al-Qaeda - se falassem com as sobreviventes.

Essa é a razão pela qual o Paquistão deve relutar em deixar que americanos interroguem as sobreviventes sem que Islamabad oriente-as antes.

Muitos no Ocidente e no próprio Paquistão suspeitam que militares paquistaneses acobertam líderes da Al-Qaeda e do Talebã, como parte de uma estratégia de controlar o Afeganistão e de desestabilizar a adversária Índia.

Sob essa ótica, informações reveladas pelas sobreviventes podem colocar o Paquistão na rota de ser considerado um Estado inimigo pelos EUA.