Diretor do FMI fará novo pedido por fiança nesta quinta, diz advogado

Documento da prisão de Strauss-Kahn em Nova York (Reuters) Direito de imagem Reuters
Image caption Strauss-Kahn nega as acusações, feitas por uma camareira em NY

O diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, fará novo pedido por liberdade sob fiança em uma audiência judicial nesta quinta-feira, informou seu advogado.

Strauss-Kahn está detido desde sábado, sob acusação de agressão sexual, cárcere privado e tentativa de estupro de uma camareira de hotel em Nova York.

Na última segunda-feira, uma juíza da Corte Criminal de Manhattan havia negado a soltura sob fiança do político francês, depois de a Promotoria ter alegado que ele poderia fugir dos EUA à França, seu país natal.

A França e os EUA não têm tratado bilateral de extradição.

Strauss-Kahn, que nega as acusações, está detido no presídio de Rikers Island, em Nova York.

A correspondente da BBC em Nova York Laura Trevelyan relata que, na audiência prevista para esta quinta-feira, a defesa deverá fornecer novos argumentos para tentar convencer a Justiça de que Strauss-Kahn não pretende fugir.

Uma possível oferta é que o francês seja monitorado por tornozeleira eletrônica e deixe seu passaporte sob guarda da Justiça.

‘Assustada’

A camareira que prestou queixas contra Strauss-Kahn está “assustada”, segundo seu advogado, mas vai testemunhar contra ele.

Ela alega que não sabia quem era Strauss-Kahn quando formalizou sua acusação – só soube que ele era diretor do FMI no dia seguinte.

"A ideia de que alguém sugeriu que ela estava envolvida em algum tipo de conspiração é ridícula. Esta é uma pessoa que foi vítima de um ato violento", disse Jeffrey Shapiro, advogado da camareira, agregando que “nada consensual” ocorreu no quarto de hotel onde a ela foi supostamente agredida.

Já Benjamin Brafman, advogado de Strauss-Kahn, afirma que a defesa acredita que “as evidências forenses (coletadas pelas autoridades) não serão consistentes (com o argumento) de que houve uma relação forçada” entre réu e acusadora.

A camareira, de 32 anos e nativa da Guiné, relatou à polícia que, ao entrar no quarto de hotel de Strauss-Kahn, ele saiu do banheiro nu, perseguiu-a a agrediu sexualmente até que ela conseguisse fugir.

O caso chocou a França, que tinha Strauss-Kahn como um dos candidatos favoritos ao pleito presidencial de 2012.

Pesquisa de opinião

Mas uma pesquisa de opinião francesa mostrou que ao menos parte do público parece estar do lado de Strauss-Kahn.

A pesquisa, realizada para a rádio francesa RMC, o canal de televisão BDM e o site 20Minutes, mostrou que 57% dos pesquisados acreditam que Strauss-Kahn foi vítima de uma conspiração.

O número aumenta pra 70% entre aqueles que se identificaram simpatizantes do Partido Socialista, de Strauss-Kahn.

O filósofo Bernard-Henri Levy, amigo do diretor do FMI há 25 anos, escreveu um texto em seu blog para defender Strauss-Kahn.

"Nada neste mundo pode permitir a forma com que este homem foi atirado aos cães", escreveu o filósofo. "Não sei como (...) uma camareira pode entrar sozinha em um quarto de uma das pessoas mais vigiadas do planeta, contra as práticas na maioria dos grandes hotéis de Nova York, que tem 'brigadas de limpeza' de pelo menos duas pessoas."

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