Com maioria brasileira, população latina triplica em Londres

Comércio latino-americano no sul de Londres Direito de imagem BBC World Service
Image caption Latinos criaram meios de comunicação, festas e lojas em Londres

A comunidade latino-americana de Londres cresceu mais de 300% nos últimos dez anos, segundo uma pesquisa recém-divulgada, realizada pela Universidade Queen Mary e patrocinada pela ONG britânica Trust for London. Os brasileiros compõem a maioria dessa comunidade.

Segundo a pesquisa, existem atualmente 113.578 latino-americanos vivendo somente em Londres. O número total de latinos residentes na Grã-Bretanha é de 186.469.

O estudo revelou que há cerca de 41.380 brasileiros residindo na capital britânica e um total de 53.052 em todo o país.

O segundo maior grupo entre os latino-americanos é formado por colombianos, que representam 15.271 em Londres e um total de 24.040 na Grã-Bretanha como um todo. Em seguida estão os argentinos e os equatorianos.

Em 2001, segundo um levantamento da época, o número de latino-americanos vivendo em Londres era de 31.211 pessoas, ou seja, menos de um terço do total atual.

A maioria dos que estão irregularmente na Grã-Bretanha são brasileiros e bolivianos. Ao mesmo tempo, a população brasileira no país é, também, a que tem maiores índices de empregabilidade entre os latino-americanos.

‘Invisibilidade’

A pesquisa, ''No Longer Invisible: the Latin American Community in London'' (Não Mais Invisível: A comunidade latino-americana em Londres), recebeu esse nome porque ''a ausência de estudos sobre essa população e, sobretudo, a falta de dados estatísticos específicos têm contribuído para a sua invisibilidade em registros oficiais''.

Os dados estimados de latino-americanos que estão na Grã-Bretanha mescla o número dos que entraram legalmente no país e também os que estão em situação irregular. A estimativa se valeu do cruzamento de cinco fontes: o registro de passageiros que entram na Grã-Bretanha, os pedidos de número de seguro social, dados estatísticos do Ministério do Interior, da Pesquisa Anual Populacional e da Secretaria de Estatísticas Nacional.

Para traçar o perfil dos latino-americanos residentes em Londres e na Grã-Bretanha como um todo, o estudo se baseou em uma amostra de 1.014 pessoas de diferentes nacionalidades latino-americanas, idades e grupos sócio-econômicos, que responderam às perguntas de um questionário.

De acordo com a pesquisa, a comunidade latino-americana de Londres é um grupo diversificado socialmente, formado, primordialmente, por brasileiros - a maior comunidade entre os latino-americanos -, colombianos, equatorianos, bolivianos e peruanos.

Eles foram à Grã-Bretanha por motivos econômicos – no caso do Brasil, esse fluxo cresceu a partir do ano 2000.

“À medida que a população latino-americana cresceu (em território britânico), também cresceram seus negócios, suas mídias e seus eventos”, afirma o estudo, citando regiões que ganharam nichos de negócios comandados por brasileiros e por outros expatriados.

“Há (na Grã-Bretanha) diversos canais de mídia, como jornais, tanto em espanhol quanto em português, e eventos de larga escala, como um carnaval realizado no sul de Londres que parece ser o maior festival latino-americano na Europa.”

Relacionamentos e educação

Dos latino-americanos vivendo na Grã-Bretanha, 11% se casaram com cidadãos britânicos, e outros 11%, com cidadãos de outras nacionalidades europeias. “Brasileiros e colombianos são os com maior probabilidade de terem se casado com alguém de nacionalidade diferente”, segundo a pesquisa.

A média de idade desses expatriados é de 36 anos, considerando que apenas pessoas com 16 anos ou mais foram incluídas na pesquisa.

“Os latino-americanos são em sua maioria muito bem-educados, sendo que 75% deles obtiveram qualificações em seus países de origem antes de emigrar. Setenta por cento deles obtiveram algum tipo de educação além do segundo grau, e 13% têm ensino técnico”, prossegue a pesquisa, ressaltando que os imigrantes equatorianos têm o menor nível educacional entre o grupo pesquisado.

“Muitos desses latino-americanos emigraram para melhorar seu nível educacional, principalmente por meio do aprendizado do inglês, mas também para buscar melhores qualificações (profissionais).”

A pesquisa mostra, porém, que o idioma ainda é uma barreira para parte do grupo estudado: quase um terço dos latino-americanos na Grã-Bretanha entendiam pouco ou nada de inglês; 30% tinham conhecimentos intermediários da língua; enquanto 41% eram capazes de falar, ler e escrever com desenvoltura em inglês.

Notícias relacionadas