Brics expressam preocupação quanto à escolha de novo chefe do FMI

Image caption Países dizem que legitimidade do Fundo pode ser prejudicada

Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul divulgaram nesta terça-feira comunicado em que expressam “preocupação” quanto ao processo de escolha do novo diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional).

O grupo dos Brics afirmou que a escolha com base na nacionalidade prejudica a legitimidade do Fundo.

Tradicionalmente, o cargo de diretor-gerente é ocupado por um europeu. O francês Dominique Strauss-Kahn recentemente abdicou do cargo, acusado em um escândalo sexual nos Estados Unidos.

A Europa defende sua continuidade na liderança do Fundo, num momento em que a principal tarefa do FMI é lidar com a crise da dívida em alguns países europeus.

Mas representantes dos Brics no FMI expressaram posição diferente em um comunicado conjunto.

“Estamos preocupados com declarações públicas feitas recentemente por autoridades seniores europeias quanto (ao fato de) a posição de diretor-gerente continuar sendo ocupada por um europeu”, dizem eles.

“A recente crise financeira que eclodiu em países desenvolvidos mostrou a urgência em reformar instituições financeiras internacionais, de forma a refletir o crescente papel dos países desenvolvidos na economia global.”

Favorita

As nações emergentes têm reclamado há anos mais poder de voto no Fundo – a votação é feita por meio de cotas.

Leia também na BBC Brasil: Entenda como é o processo de escolha do diretor-gerente do FMI

Por enquanto, porém, a candidata que aparenta ter mais força é a ministra francesa das Finanças, Christine Lagarde.

Entre os países em desenvolvimento, acredita-se que o presidente do Banco Central mexicano, Agustin Carstens, deva se candidatar.

Em comunicado na última sexta-feira, o FMI disse que a decisão final sobre o novo diretor-gerente será anunciada em 30 de junho.

"O candidato escolhido terá um histórico eminente em políticas econômicas em nível sênior", diz o texto a respeito do "processo seletivo".

"Ele ou ela deve ter demonstrado as habilidades gerenciais e diplomáticas necessárias para liderar uma instituição global e será cidadão de qualquer um dos países-membros do Fundo."

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