Atividade em vulcão na Islândia é 'mínima', mas cinzas ainda afetam tráfego aéreo

Passageiro em aeroporto da Escócia nesta terça-feira (AFP) Direito de imagem AFP
Image caption Situação deve se normalizar nos próximos dias, diz ministro

O vulcão Grimsvötn na Islândia, que entrou em erupção no sábado e provocou o cancelamento de centenas voos na Europa, reduziu sua atividade a um nível mínimo, segundo o escritório de meteorologia islandês.

"Durante a noite, houve uma redução significativa na atividade do vulcão e, neste momento, o grau de atividade é pequeno ou mínimo", disse meteorologista Teitur Arason em entrevista ao Serviço Mundial da BBC. Ele acrescentou não ser impossível que esse quadro mude nos próximos dias ou semanas.

Apesar da redução no nível de atividade, as cinzas já expelidas pelo vulcão desde sábado continuam causando problemas ao tráfego aéreo europeu.

Nesta quarta-feira, segundo a Eurocontrol, a agência que controla o tráfego aéreo europeu, cerca de 600 voos na Alemanha serão cancelados por conta das cinzas vulcânicas que chegaram ao norte do país, afetando o espaço aéreo em Bremen e em Hamburgo.

As cinzas vulcânicas podem se movimentar ao longo do dia e afetar Berlim e partes da Polônia, segundo o órgão.

Na Grã-Bretanha e na Irlanda, cerca de 250 voos foram cancelados nesta quarta-feira. A situação, no entanto, melhorou em relação ao dia anterior quando cerca de 500 voos haviam sido suspensos.

A Eurocontrol informou ainda que há uma grande possibilidade de que a nuvem de cinzas passe por partes da Dinamarca, da Noruega e da Suécia, mas avalia que o impacto sobre os voos deve ser limitado.

Segundo o correspondente da BBC em Berlim Stephen Evans, as autoridades de transporte alemãs adotaram uma posição mais cautelosa que a de outros países ao decidir pelo fechamento do espaço aéreo.

A autoridade de aviação civil da França disse esperar poucos distúrbios ao tráfego aéreo e que não esperava ter de fechar nenhuma parte do espaço aéreo do país.

‘Otimismo cauteloso’

O secretário britânico dos Transportes, Philip Hammond, disse que há um “otimismo cauteloso” quanto à situação nos próximos dias no país.

Segundo ele, a nuvem de cinzas baixou em altura e intensidade, e ventos provavelmente a levarão para longe da Grã-Bretanha nos próximos dois dias.

A entidade que controla a aviação civil britânica dividiu o espaço aéreo em áreas de alta, média e baixa densidade de cinzas – e companhias aéreas que queiram voar nas regiões de média ou alta densidade necessitam de autorização para isso.

Hammond rejeitou alegações da empresa Ryanair de que, após ter feito testes, considera seguro viajar em áreas de alta densidade. “Nossa responsabilidade primordial é a segurança”, disse o secretário.

Na noite desta terça, a empresa British Airways iniciou um teste sobre os efeitos das cinzas. Um Airbus A320 partiu de Manchester rumo a Londres, e seu desempenho será examinado por engenheiros.

No ano passado, as cinzas de outro vulcão islandês, o Eyjafjallajokull, provocaram o cancelamento de cerca de 100 mil voos na Europa ao longo de quase um mês, causando um prejuízo estimado em US$ 1,7 bilhão (cerca de R$ 2,75 bilhões).

Especialistas dizem, porém, que o Grimsvotn não deve causar tantos problemas: além de a erupção atual (iniciada no sábado) ter menor escala, suas cinzas têm partículas maiores e, por isso, caem mais rapidamente no chão.

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