Egito vai reabrir fronteira com Gaza

AP
Image caption Mulheres não vão precisar de vistos para cruzar para o Egito

O Egito vai abrir diariamente o posto de fronteira de Rafah, seu único com a Faixa de Gaza, a partir de sábado, disse nesta quarta-feira a agência de notícias oficial egípcia Mena.

O posto de Rafah será aberto permanentemente das 9h às 21h todos os dias exceto sextas-feiras (o dia santo dos muçulmanos) e feriados, a partir de sábado, 27 de maio.

"Mulheres palestinas de todas as idades não vão precisar de vistos, assim como homens com menos de 18 e mais de 40 anos", disse a agência Mena. Os demais terão de obter vistos.

A decisão foi tomada como parte dos esforços para "encerrar as divisões palestinas e alcançar a reconciliação nacional".

Bloqueio

Com a medida, diminui substancialmente o bloqueio ao território palestino imposto em 2007, quando o grupo islâmico Hamas assumiu o controle do território.

Sob o governo do ex-presidente Hosni Mubarak, o Egito fechou a fronteira e ajudou Israel a manter o bloqueio, justificado pelo governo israelense como necessário para impedir a entrada de armas em Gaza.

O comunicado da Mena diz que as regras em vigor antes do bloqueio vão passar a valer novamente.

À época, observadores europeus e Israel monitoravam as pessoas e as cargas que cruzavam a fronteira, para impedir que militantes recebessem armas.

Restrições

Desde 2007, centenas de túneis ilegais passaram a operar sob a fronteira de 15 km entre o Egito e Gaza.

O governo interino militar que controla o Egito desde a queda de Mubarak, em fevereiro, havia adiantado no mês passado que pretendia abrir a fronteira.

A nova administração egípcia já mediou um acordo de reconciliação, condenado por Israel, entre os grupos palestinos Hamas e o Fatah, que controlam respectivamente Gaza e a Cisjordânia.

Analistas dizem que a medida deve irritar Israel. No ano passado, o governo relaxou um pouco o bloqueio, mas Gaza ainda sofre com uma significativa escassez de bens e produtos.

O bloqueio foi condenado por muitos como punição coletiva aos habitantes de Gaza por causa das restrições que causa para a população.

No ano passado, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que o bloqueio seria uma violação clara das leis humanitárias internacionais.

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