Palestinos dizem que discurso de premiê israelense ‘cria obstáculos’ à paz

Netanyahu no Congresso americano (AFP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Reação a discurso de Netanyahu evidencia abismo nas negociações

Autoridades palestinas criticaram o discurso desta terça-feira do premiê israelense, Binyamin Netanyahu, que, no Congresso dos EUA, disse que seu país será “generoso”, porém firme com suas fronteiras.

Em um sinal da continuidade do impasse nas negociações israelo-palestinas, um porta-voz do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, declarou que a fala de Netanyahu cria “mais obstáculos” à reconciliação no Oriente Médio.

“O discurso não levará à paz”, disse o porta-voz Nabil Abu Rudeina, agregando que as palavras de Netanyahu não são novas, “exceto pelo fato de que ele está acrescentando obstáculos no caminho à paz genuína, séria, duradoura e ampla”.

Perante o Congresso americano, Netanyahu disse que "Israel será generoso em relação ao tamanho do Estado palestino, mas será muito firme sobre onde nós colocaremos nossa fronteira com ele" - ou seja, não vai admitir um retorno às fronteiras de 1967 ou a divisão da cidade de Jerusalém.

Outra autoridade palestina sênior declarou à BBC, em Ramallah, que as declarações de Netanyahu eram “de guerra, e não de paz”.

Leia também na BBC Brasil: Israel será firme mas 'generoso' com fronteiras palestinas, diz Netanyahu

O debate em torno das fronteiras ganhou força após o presidente americano, Barack Obama, ter dito na semana passada que um futuro Estado palestino deveria ser baseado nas demarcações existentes antes do conflito de 1967.

O governo israelense rejeita essa proposta, que se refere às fronteiras existentes antes da Guerra dos Seis Dias, na qual Israel anexou ao seu território a Cisjordânia, Jerusalém Oriental e a Faixa de Gaza.

‘Parceiro’

O negociador-chefe dos palestinos, Saeb Erekat, disse que a fala de Netanyahu mostra que Israel não é um “parceiro para a paz” na região e que o premiê quer “ditar os resultados das negociações” antes que elas recomecem.

“Ele determinou que Jerusalém (cuja parte oriental é reivindicada pelos palestinos) é indivisível, que os refugiados palestinos não podem retornar, que seu Exército continuará nas fronteiras, que seus assentamentos serão expandidos, que ele quer os palestinos desmilitarizados.”

O editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, diz que o discurso de Netanyahu evidencia que é maior do que nunca o abismo entre a visão dos líderes palestinos e israelenses sobre qual deve ser o formato de um acordo de paz.

Netanyahu mencionou em sua fala o recente acordo firmado entre o Fatah, responsável pelo comando da Cisjordânia, e o Hamas, que controla a Faixa de Gaza e é considerado um "grupo terrorista" por Israel. O grupo não reconhece a existência do Estado israelense.

"O Hamas permanece comprometido com a destruição de Israel e o terrorismo", disse Netanyahu. “Então, eu digo ao presidente Abbas: rasgue seu acordo com o Hamas”, afirmou Netanyahu, com veemência.

O Hamas disse nesta terça à agência France Presse que “a resposta a esse discurso arrogante, que nega os direitos palestinos, deveria ser o fim total das negociações e a implementação da reconciliação (palestina)”.

Nesta quarta, líderes palestinos devem se reunir para debater o projeto de tentar obter o reconhecimento do Estado palestino na ONU em setembro.

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