Confrontos no Iêmen levam EUA a retirar diplomatas do país

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Image caption Manifestante protesta contra o governo do Iêmen na capital

Os EUA ordenaram a retirada do Iêmen de todo seu pessoal diplomático não-essencial, e de familiares da equipe da embaixada, em meio ao recrudescimento dos conflitos no país.

Fontes médicas disseram que 72 pessoas morreram em três dias de choques entre líderes tribais e tropas leais ao governo.

O presidente Ali Abdullah Saleh reiterou que não vai deixar o poder e deixar o Iêmen, apesar do recrudescimento dos protestos.

Até agora ele se recusou a assinar um pacto de transição que o forçaria a renunciar e passar o poder a um governo de coalizão.

O Departamento de Estado dos EUA advertiu americanos a não viajarem para o Iêmen.

"O nível de ameaça à segurança no Iêmen é extremamente alto devido a atividades terroristas e à instabilidade social. Há tensões ao longo do país e grandes protestos em grandes cidades", diz a nota do departamento.

O recrudescimento dos confrontos no país já havia forçado, segundo relatos, o fechamento temporário do aeroporto da capital, Sanaa, na quarta-feira.

Confrontos se estenderam pela noite, com forças de segurança reprimindo clãs tribais que protestavam contra o governo do presidente Ali Abdullah Saleh. Lídere tribais tomaram o controle de diversos edifícios públicos na cidade. Muitos dos conflitos aconteceram perto do aeroporto.

Os voos ao Iêmen tiveram de ser redirecionados à cidade de Aden, segundo autoridades.

Na noite de quarta-feira houve relatos de trocas de tiros e bombardeios em áreas residenciais de Sanaa.

Além disso, milhares de manifestantes antigoverno tomaram as ruas do país ao longo do dia – o Iêmen é um dos países árabes que enfrentam levantes populares pró-democracia, inspirados na Tunísia e no Egito.

Acredita-se que os confrontos tenham deixado cerca de 60 mortos desde segunda-feira, quando tropas leais a Saleh avançaram contra o complexo que abriga Sadeq al-Ahmar, líder do poderoso clã tribal Hashid.

Testemunhas dizem que centenas de pessoas estão abandonando Sanaa, com medo da onda de violência. E o Departamento de Estado dos EUA ordenou que diplomatas em funções não essenciais e cidadãos americanos deixem o país.

No último domingo, Saleh – que governa o Iêmen desde 1978 - se recusou a assinar um acordo, mediado por países do golfo Pérsico, que previa sua saída do poder no prazo de um mês.

Pressão internacional

Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que Saleh deveria “avançar imediatamente em seu compromisso de transferir o poder” do país.

Mas o presidente desafiou a pressão internacional e declarou, por meio de seu porta-voz, que “não deixará o poder e não deixará o Iêmen”, porque se recusa a permitir que seu país vire um "Estado falido".

Enquanto isso, as tropas governamentais patrulhavam os prédios de Sanaa para impedir a entrada dos apoiadores de al-Ahmar.

O correspondente da BBC News Sebatian Usher diz que, a entrada em cena dos líderes tribais parece levar a crise iemenita para uma nova fase.

“As poderosas redes tribais vinham se mantendo afastadas dos conflitos. A manutenção de seu apoio, ou ao menos de sua neutralidade, é vital para a sobrevivência de Saleh no poder”, diz Usher.

Agora, em meio a confrontos entre clãs e tropas governamentais, aumenta o perigo de que o país seja assolado por uma guerra civil

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