Obama diz esperar que prisão de Mladic traga ‘consolo’

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Image caption General é acusado de comandar o massacre de Srebrenica, em 1995

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, parabenizou seu colega sérvio, Boris Tadic, por seus "esforços determinados" para prender o general Ratko Mladic e disse que espera que as famílias das vítimas dele na Guerra da Bósnia (1992-1995) encontrem agora "algum consolo".

Foragido há 16 anos, Mladic, de 69 anos, é acusado pelo massacre na cidade bósnia de Srebrenica, em 1995. Com a morte de mais de 7,5 mil muçulmanos, o massacre foi uma das maiores atrocidades cometidas na Europa após a Segunda Guerra e um dos mais conhecidos episódios do confronto na Bósnia.

Obama disse que os Estados Unidos esperam que Mladic seja extraditado para ser julgado na cidade de Haia, sede do Tribunal Penal Internacional (TPI) e do Tribunal Criminal Internacional para a Antiga Iugoslávia.

"Neste dia importante, nós voltamos a nos comprometer em apoiar os esforços de reconciliação em andamento nos Bálcãs e em trabalhar para prevenir futuras atrocidades", disse o presidente americano em um comunicado.

"Aqueles que cometeram crimes contra a humanidade e genocídio não irão escapar de ser julgados", afirmou.

Leia mais na na BBC Brasil sobre as acusações contra Mladic

‘Crimes horrendos’

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou que a prisão de Mladic é uma "notícia excelente" e disse que é necessário lembrar que o general é acusado de crimes de guerra "absolutamente horrendos".

Para Cameron, também é preciso rememorar os milhares que morreram em Srebrenica e no cerco a Sarajevo, o que classificou como "algumas das coisas mais terríveis que ocorreram nas últimas décadas" no continente europeu.

O premiê disse ainda que as leis internacionais têm um longo alcance e uma memória "muito extensa". Segundo ele, a prisão de Mladic serve como um alerta para os criminosos de guerra em todos os lugares: "no fim, nós vamos pegá-los", afirmou.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, louvou a Sérvia pela prisão de Mladic, o que considera um "passo significativo na direção do fim da impunidade" para aqueles que violaram as leis internacionais durante a guerra da Iugoslávia.

Ban afirmou que os seus pensamentos vão primeiramente para as vítimas dos crimes de guerra supostamente cometidos por Mladic e às suas famílias. Para o secretário-geral, este foi um "dia histórico para a Justiça internacional".

União Europeia

Participando da cúpula do G8, em Deauville (cidade do norte da França), o presidente francês, Nicolas Sarkozy, disse que a decisão sérvia em entregar um suspeito de crimes de guerra foi um "teste difícil", considerando que parte da opinião pública do país era favorável a Mladic.

Analistas consideraram a prisão um passo importante para a futura integração da Sérvia à União Europeia (UE) e, segundo Sarkozy, a resposta do bloco agora deve ser deixar claro que o caminho está aberto para que o país possa se tornar membro.

"Não podemos pedir à Sérvia para tomar uma decisão difícil, às vezes contra parte de sua opinião pública, e dizer 'não, desculpem-nos, a porta continua fechada'", disse o presidente francês. "É a vocação natural da Sérvia unir-se à UE."

A chanceler da UE, Catherine Ashton, que está em Belgrado, afirmou que a eventual integração da Sérvia ao bloco europeu será vista com "energia renovada" devido à prisão de Mladic.

"Eu vejo as mensagens que vêm de Bruxelas (sede da UE) e das capitais europeias à Sérvia e espero que sejamos capazes de avançar nisto com rapidez", disse Ashton.

A chanceler da UE disse que parabenizou pessoalmente o presidente Tadic e as autoridades sérvias pela detenção, e afirmou que o mais importante agora é lembrar as vítimas do conflito da Iugoslávia, assim como seus amigos e familiares.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, disse que Mladic cumpriu um papel fundamental em alguns dos "episódios mais obscuros da história dos Bálcãs e da Europa.

"A sua prisão finalmente traz a chance para que justiça seja feita", disse Rasmussen. "A prisão de Ratko Mladic é um passo muito importante na direção da integração total de toda a região em nossa comunidade euro-atlântica".

O Ministério das Relações Exteriores brasileiro ainda não se manifestou a respeito da prisão de Mladic.

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