Após ser preso, Ratko Mladic é levado para depor em corte na Sérvia

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Image caption Mladic é escoltado por policiais em Belgrado

Ratko Mladic, criminoso de guerra mais procurado da Europa e um dos mais procurados do mundo, compareceu nesta quinta-feira em uma corte na Sérvia, horas após ter sido preso.

Mladic, que estava foragido havia 16 anos, era o mais notório acusado de crimes de guerra e genocídio no conflito da Bósnia ainda à solta.

O general, de 69 anos, foi encontrado em um vilarejo no norte da Sérvia, onde vinha vivendo com nome falso.

Ele é acusado de ter ordenado e coordenado o massacre de ao menos 7.500 meninos e homens muçulmanos na cidade de Srebrenica, em 1995 - maior atrocidade cometida na Europa desde a Segunda Guerra.

A audiência na corte de Belgrado por interrompida para que Mladic passasse por um exame clínico. Imagens da TV sérvia mostram o general entrando na corte, andando lentamente e usando um boné.

O advogado de Mladic, Milos Saljic, disse que o juiz tentou questionar o general, mas ele estava “em condições físicas e psicológicas complicadas” e estava incapaz de se comunicar.

A audiência deve ser retomada na sexta-feira.

Haia

O presidente da Sérvia, Boris Tadic, disse que o processo de extradição do ex-chefe do Exército sérvio-bósnio para o tribunal de crimes de guerra em Haia, na Holanda.

Após a prisão de Radovan Karadzic em 2008, Mladic se tornou o mais procurado criminoso da guerra da Bósnia.

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Image caption O general comandou as forças sérvias na guerra da Bósnia

Segundo o presidente sérvio, a prisão de Mladic levou a região e o país para mais perto da reconciliação, e abriu as portas para que a Sérvia se torne país-membro da União Europeia.

Tadic rejeitou críticas de que a Sérvia só tomou alguma atitude a respeito da captura de Mladic após enfrentar intensa pressão internacional.

"Vínhamos cooperando com Haia (o tribunal) por completo desde o começo do mandato deste governo", disse ele.

A mídia sérvia chegou a afirmar que Mladic já estava a caminho do Tribunal da ONU para a Antiga Iugoslávia, em Haia. Mas promotores sérvios afirmaram mais tarde que o procedimento para sua extradição pode levar uma semana.

Uma porta-voz de familiares das vítimas do massacre de Srebrenica, Hajra Catic, disse à agência AFP que "após 16 anos de espera, para nós, familiares das vítimas, isso é um alívio".

A notícia da captura também foi elogiada por representantes de vários governos, incluindo EUA e Grã-Bretanha, além da ONU, União Europeia, Otan e da ONG Anistia Internacional.

Tribunal

Mladic deve comparecer a um tribunal sérvio ainda nesta quinta-feira.

Ele foi capturado na província de Vojvodina, no começo desta quinta-feira, segundo o ministro da Justiça sérvio, Slobodan Homan.

Fontes de segurança sérvias disseram que três unidades especiais invadiram uma casa perto do vilarejo de Lazarevo, a cerca de 80 quilômetros de Belgrado.

Image caption Imagem feita por tropas sérvias mostra os corpos de vítimas do massacre de Srebrenica, em 1995

A casa era de um parente de Mladic, e estava sob vigilância há duas semanas. Mladic estava usando o nome Milorad Komodic.

A rádio sérvia B-92 dise que ele não estava disfarçado - ao contrário de Karadzic, que usava uma longa barba e um rabo-de-cavalo quando foi capturado em Belgrado, há três anos.

O promotor-chefe do tribunal de crimes de guerra da ONU Serge Brammertz comemorou a prisão, dizendo: "Os acontecimentos de hoje mostram que pessoas responsáveis por graves violações da lei humanitária internacional não podem confiar na impunidade".

Importância

O correspondente da BBC em Belgrado Mark Lowen diz que a prisão é incrivelmente importante para os sérvios, já que “muitos sentiam que o destino de seu país estava refém de Mladic e a esperança de ingressar na União Europeia era nula enquanto ele estivesse foragido”.

Depois de viver em liberdade em Belgrado por algum tempo, Mladic desapareceu quando o ex-presidente da Iugoslávia Slobodan Milosevic foi preso, em 2001.

Em 2005, o então ministro do Exterior sérvio, Vuk Draskovic, acusou o serviço secreto do país de saber o paradeiro de Mladic, alegação negada pela agência de Inteligência.

Mladic foi chefe do Exército do líder sérvio-bósnio Radovan Karadzic durante toda a guerra da Bósnia (1992 a 1995).

A especulação sobre uma prisão iminente de Mladic aumentou quando Karadzic foi capturado em Belgrado, em julho de 2008.

Em 2010, a Sérvia ofereceu uma recompensa de 10 milhões de euros (pouco menos de R$ 23 milhões) por informações que levassem à captura do militar.

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