Investigação alemã isenta pepino espanhol de culpa por surto de infecções

Vegetais em mercado em Hamburgo (AP) Direito de imagem AP
Image caption Produtores espanhóis se queixam de prejuízo em exportação de vegetais

Autoridades alemãs disseram que o atual surto da bactéria E-coli, que já deixou 16 mortos, não foi causado por pepinos contaminados originários da Espanha, como havia sido relatado inicialmente.

A ministra da Saúde da cidade alemã de Hamburgo, Cornelia Pruefer-Storcks, disse que a bactéria encontrada nos pepinos importados era de um tipo diferente da que foi encontrada em amostras de fezes das pessoas doentes.

Enquanto continuam tentando identificar a origem do surto, autoridades alemãs sustentam que os pepinos espanhóis não causaram as infecções, mas devem ser monitorados mesmo assim.

Já a Espanha criticou fortemente a Alemanha pelas alegações iniciais, que estariam causando aos agricultores espanhóis perdas semanais de mais de US$ 200 milhões por restrições a exportações impostas por diversos países europeus.

O presidente da federação de exportadores de frutas e vegetais da Espanha, Jorge Brotons, disse que há um “efeito dominó”: quase toda a Europa teria parado de comprar os produtos espanhóis.

A ministra espanhola da Agricultura, Rosa Aguilar, disse que as evidências até o momento mostram que “nossos pepinos não são responsáveis pela situação” e que as acusações iniciais foram feitas sem provas.

Ela também declarou que o país pode recorrer à Justiça para pedir indenização pelos danos.

‘Tememos que vai piorar’

Até a tarde desta terça, o surto de E-coli havia deixado 16 mortos – 15 na Alemanha e uma na Suécia, de uma mulher que havia estado em território alemão – e várias centenas de infectados.

A bactéria provoca infecção gastrointestinal com diarreia e vômitos. Em muitos casos, deriva em problemas renais e pode levar à morte.

“Esperamos que o número de casos caia, mas tememos que vai piorar”, afirmou Oliver Grieve, do Centro Médico Universitário Scleswig-Holstein, onde a maioria das vítimas alemãs estão sendo tratadas.

Na Suécia, as autoridades dizem que há 39 casos suspeitos de contaminação por E.coli, todos ligados a pessoas que viajaram ao norte de Alemanha.

Outros casos também foram relatados na Suíça, na Dinamarca, na Holanda e na Grã-Bretanha.

A origem das infecções permanece “não-identificada”, disse Pruefer-Storcks. “Nossa esperança de descobrir a fonte (da bactéria) dos casos com complicações severas infelizmente não foi cumprida com estes resultados iniciais (das investigações).”

Mas ela defendeu a reação inicial de atribuir a culpa aos pepinos espanhóis. “Teria sido irresponsável, com tantas pessoas doentes, não falar sobre uma suspeita fundamentada. Proteger a vida das pessoas é mais importante do que interesses econômicos.”

Até o momento, as autoridades alemãs orientam que as pessoas evitem comer pepinos, tomate e alface crus.

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