Surto de infecções intestinais deve piorar, dizem autoridades alemãs

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Image caption Pepinos podem ter causado o surto de infecção gastrointestinal

O surto de infecções pela bactéria Escherichia coli que já matou ao menos 14 pessoas na Alemanha deve piorar nos próximos dias, segundo cientistas alemães envolvidos na identificação da origem do surto.

Centenas de pessoas já manifestaram sintomas ligados à contaminação pela bactéria em vários países da Europa. A principal suspeita é de que a bactéria tenha sido disseminada por meio de pepinos contaminados que teriam sido exportados pela Espanha.

A bactéria provoca infecção gastrointestinal com diarreia e vômitos.

“Esperamos que o número de casos caia, mas tememos que vai piorar”, afirmou Oliver Grieve, do Centro Médico Universitário Scleswig-Holstein, onde a maioria das vítimas alemãs estão sendo tratadas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) descreveu o surto de E.coli como “muito grande e muito grave” e pediu para os países afetados trabalharem em conjunto para encontrar a fonte de contaminação.

A Alemanha identificou inicialmente pepinos importados da Espanha como a fonte do surto, mas autoridades espanholas questionam a afirmação, dizendo que ainda não está claro quando e onde os legumes foram contaminados.

Medidas

O Instituto Robert Koch, agência nacional de saúde alemã, confirmou 329 casos de contaminação no país, mas alguns relatos falam em até 1.200 casos.

Na Suécia, as autoridades dizem que há 36 casos suspeitos de contaminação por E.coli, todos ligados a pessoas que viajaram ao norte de Alemanha.

Outros casos também foram relatados na Suíça, na Dinamarca, na Holanda e na Grã-Bretanha.

Vários países europeus já adotaram medidas para tentar impedir a propagação da bactéria, proibindo a importação de pepinos ou retirando o produto dos supermercados.

Na segunda-feira, a ministra da Agricultura da Espanha, Rosa Aguilar, negou que os legumes espanhois estivessem contaminados e disse que o país poderá buscar na Justiça uma indenização pelos danos a sua imagem.

“A imagem da Espanha está sendo prejudicada, os produtores espanhois estão sendo prejudicados e o governo espanhol não está preparado para aceitar essa situação”, afirmou.

Aguilar pediu à Alemanha que acelere suas investigações sobre as causas do surto. Os resultados das análises devem ser divulgados entre esta terça-feira e a quarta-feira.

As autoridades alemãs pediram que as pessoas evitem comer pepinos, tomates e alface crus.

Transmissão

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Image caption Bactéria provoca febre moderada, vômito e diarreia

A contaminação pela E.coli não é diretamente contagiosa, mas pode ser transmitida entre as pessoas se um paciente infectado prepara comida para outros sem lavar as mãos.

A E. coli se propaga principalmente pela comida, pela água contaminada ou pelo contato com animais doentes.

Segundo especialistas, é possível evitar a contaminação simplesmente lavando bem os alimentos antes do consumo.

Os sintomas típicos da infecção pela bactéria são febre moderada e vômito. Em alguns casos, há diarreia com sangue nas fezes.

A maioria dos pacientes se recupera em cerca de sete dias, mas uma parcela deles pode desenvolver a Síndrome Hemolítico-Urêmica.

A síndrome leva a problemas nos rins e pode matar. A ocorrência de SHU nos pacientes surpreendeu os pesquisadores porque, normalmente, a doença afeta crianças com menos de cinco anos de idade.

Mas, no caso alemão, 90% dos pacientes são adultos e dois terços são mulheres, segundo o correspondente da BBC em Berlim Stephen Evans.

O Centro Europeu para a Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), com sede na Suécia, disse que o surto de SHU é “um dos maiores que já foram registrados no mundo e o maior já registrado na Alemanha”.

No caso da Alemanha, a doença parece estar sendo causada por uma variedade da E. coli que produz uma toxina específica que destrói hemácias (células vermelhas do sangue) e provoca insuficiência renal.

Nos casos mais graves, a síndrome provoca convulsões e problemas graves no sistema nervoso.

Os especialistas alemães dizem que mais mortes deverão ocorrer na Alemanha, uma vez que 30 pessoas infectadas já perderam suas funções renais.

Além disso, os sintomas aparecem em até dez dias depois da infecção pela bactéria, então mesmo que o foco seja identificado e contido, os casos devem aumentar nos próximos dias.

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