Tribunal de guerra da Sérvia rejeita recurso de Mladic

Ratko Mladic depois da prisão (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Advogado de Mladic alega que ex-comandante tem problemas de saúde

O Tribunal de Crimes de Guerra em Belgrado rejeitou nesta terça-feira o recurso do ex-comandante do Exército sérvio-bósnio Ratko Mladic, que contestava a legalidade de sua extradição para o Tribunal Penal Internacional de Haia (Holanda).

O tribunal em Belgrado precisou apenas de algumas horas para tomar a decisão depois de receber o recurso do advogado de Mladic, Milos Saljic, na manhã desta terça-feira.

Saljic alegou que o general precisava de cuidados médicos e estava muito doente, sem condições de enfrentar um julgamento.

Mas, agora que o recurso foi rejeitado, o vice-promotor para crimes de guerra Bruno Vekaric afirmou que o general deve ser enviado ao Tribunal Penal Internacional de Haia "o mais rápido possível".

A ordem de extradição deve ser primeiro assinada pelo ministro da Justiça da Sérvia, Snezana Malovic, que dará uma entrevista coletiva nesta terça-feira, o que, segundo o correspondente da BBC em Belgrado Mark Lowen, gerou especulações de que Mladic pode ser colocado em um voo para Haia ainda nesta terça.

De Haia, ele deverá ser levado para um centro de detenção do Tribunal Penal Internacional, na cidade de Scheveningen.

Depois que Mladic chegar ao tribunal, ele deverá comparecer a uma audiência inicial, antes do início dos preparativos para o julgamento. O general responderá por genocídio dentre outras acusações.

Importância

Mladic, que era um dos acusados de crimes de guerra mais procurados do mundo, foi capturado na última quinta-feira, após viver foragido por 16 anos.

A prisão de Mladic era considerada fundamental para as chances da Sérvia ingressar na União Europeia.

No domingo, o filho de Mladic, Darko Mladic, disse que seu pai nega ter ordenado o massacre de Srebrenica, em 1995, no qual 7,5 mil homens e meninos muçulmanos foram mortos.

O massacre, ocorrido durante a Guerra da Bósnia, foi a maior atrocidade cometida em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

Heroi

Também na terça-feira, foi permitido a Mladic visitar a sepultura de sua filha Ana, sob um forte esquema segurança.

Ana Mladic cometeu suicídio em 1994, aos 23 anos de idade, após alegadamente ter lido sobre os crimes do pai em uma revista.

Durante a visita de 20 minutos, ele acendeu uma vela e deixou um pequeno buquê de flores.

Muitos na Sérvia e em enclaves sérvios na antiga Iugoslávia consideram Mladic um heroi dos conflitos dos anos 90.

No domingo, milhares de pessoas foram às ruas de Belgrado protestar contra sua detenção. A manifestação terminou em choques com a polícia e cerca de 100 pessoas foram presas.

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