Após volta de Zelaya, Honduras é readmitida na OEA

Manuel Zelaya Direito de imagem BBC World Service
Image caption Volta de ex-presidente abriu caminho para reingresso na entidade

A Organização dos Estados Americanos (OEA) aprovou nesta quarta-feira em Washington, em assembleia geral extraordinária, a reintegração de Honduras ao órgão.

A readmissão do país, aprovada por 32 votos contra um, terá efeito imediato, após quase dois anos de suspensão, provocada pela deposição do então presidente Manuel Zelaya, em junho de 2009.

O retorno de Zelaya ao país no último fim de semana, após um acordo firmado com o atual presidente, Porfírio “Pepe” Lobo, abriu o caminho para a decisão da assembleia da OEA.

A volta era uma das exigências de um bloco de países, entre eles o Brasil, para que Honduras pudesse voltar a fazer parte da organização.

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Votação

Na votação desta quarta-feira, o representante do Equador foi o único a se manifestar contra a reintegração de Honduras, devido a supostos abusos de direitos humanos e ao fato de que os responsáveis pela deposição de Zelaya ainda não terem sido punidos.

Organizações de direitos humanos e membros da oposição afirmam que, desde a queda de Zelaya, perseguições políticas e assassinatos de opositores se converteram em uma "política de Estado" em Honduras.

Zelaya foi deposto pelas Forças Armadas em 28 de junho e expulso do país, acusado de violar a Constituição (por tentar aumentar o limite de seu mandato por meio de referendo popular).

Sua deposição foi condenada internacionalmente e deu início a uma crise política que colocou países da região em posições divergentes.

Enquanto um grupo de países, entre eles os Estados Unidos, normalizou rapidamente as relações com Tegucigalpa após a eleição de Lobo, em novembro de 2009, outro bloco, liderado pelo Brasil, condicionava o reconhecimento do novo governo ao retorno de Zelaya a Honduras sem risco de prisão.

Acordo

No mês passado, um acordo entre o ex-presidente e o atual líder do país, mediado por Colômbia e Venezuela, permitiu a volta de Zelaya a Honduras.

As acusações de corrupção e os mandados de prisão que pesavam contra Zelaya foram retirados pela Justiça do país.

O ex-presidente retornou a Tegucigalpa no último sábado e defendeu a reintegração do país à OEA e o reconhecimento da comunidade internacional ao atual governo.

Em visita a Washington, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, disse na terça-feira que os eventos recentes em Honduras, culminando com a volta de Zelaya, foram “uma grande vitória para a democracia na América Latina e no mundo”.

"Acho que o exemplo que foi dado por países da região ao não aceitar o fato consumado de um golpe militar demonstra que não há tolerância hoje na América Latina para esse tipo de aventura que foi tão comum e tão associada à região em décadas anteriores", disse.

Segundo o ministro, o governo brasileiro está pronto para se engajar com Honduras, e o presidente Lobo indicou o desejo de "recuperar o tempo perdido e estabelecer uma agenda forte de cooperação com o Brasil".

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