Crise do E.coli leva Rússia a suspender importação de verduras e legumes da UE

Colheita de pepinos em Almeria, Espanha Direito de imagem AFP
Image caption Produtores espanhóis se queixam de prejuízo na exportação de vegetais

A Rússia proibiu nesta quinta-feira a importação de todas as verduras e legumes frescos de países da União Europeia por causa do surto de infecções pela bactéria E.coli iniciada na Alemanha.

Mais de 1.500 pessoas já desenvolveram graves infecções gastrointestinais provocadas pela bactéria, e 17 pessoas morreram – 16 na Alemanha e uma na Suécia.

As autoridades alemãs haviam inicialmente responsabilizado pepinos importados da Espanha como foco, mas depois descartaram a possibilidade e dizem que ainda tentam descobrir a origem da contaminação.

Segundo o correspondente da BBC em Moscou Daniel Sandford, mais de 25 porcento de todos os legumes e verduras exportados pela União Europeia (UE) têm a Rússia como destino, tornando o país o maior mercado para os produtores europeus.

No início da semana, a Rússia já havia proibido a importação de vegetais crus da Alemanha e da Espanha.

O chefe da agência de proteção ao consumidor, Gennady Onishchenko, afirmou que há ordens para interceptar todos os carregamentos provenientes da UE.

“Eu peço às pessoas que abandonem o consumo de vegetais importados e passem a consumir os produtos locais”, afirmou.

Ele criticou ainda os padrões de higiene alimentar da UE. “Isso mostra que a elogiada legislação de saúde da Europa, que a Rússia era pressionada a adotar, não funciona”, disse.

Novos casos

O chefe do instituto de saúde pública que lidera o combate ao surto de E.coli na Alemanha afirmou à BBC que pode levar meses para que a epidemia seja contida.

Segundo Reinhard Burger, presidente do Instituto Robert Koch, é possível que nunca se descubra a fonte das infecções.

Pelo menos 365 novos casos de infecção pela E.coli foram registrados somente na quarta-feira. Em um quarto dos casos, os pacientes desenvolveram síndrome hemolítico-urêmica, que leva a problemas nos rins e pode matar.

Os novos casos incluem dois identificados nos Estados Unidos, de pacientes que haviam recentemente viajado a Hamburgo, onde se concentra boa parte dos casos.

Processo

A Espanha ameaça processar as autoridades alemãs por causa do prejuízo provocado pela crise aos produtores locais.

O governo espanhol estima em mais de 200 milhões de euros (cerca de R$ 455 milhões) por semana as perdas provocadas pela suspensão de exportações.

A Comissão Europeia suspendeu na quarta-feira sua advertência sobre os pepinos espanhóis, dizendo que testes não confirmaram a presença nos vegetais do tipo específico da bactéria responsável pelo surto de infecções.

Burger disse que as autoridades alemãs haviam tentado balancear os riscos quando acusaram equivocadamente os produtos espanhóis. Ele disse que as autoridades tinham de agir rapidamente – apesar de a recomendação ter depois se mostrado equivocada.

“Queríamos evitar novas fontes de infecção. É um balanço difícil”, disse. “Você não quer esperar muito, mas ao mesmo tempo não quer criar alarme falso”, observou.

Além da Alemanha, outros oito países europeus já registraram casos de infecção pela E.coli – Áustria, Dinamarca, Holanda, Noruega, Espanha, Suécia, Suíça e Grã-Bretanha.

Virtualmente todas as pessoas infectadas ou vivem na Alemanha ou haviam viajado recentemente ao país.

Vários países tomaram medidas para tentar se prevenir do surto, como a proibição da importação de pepinos e a remoção de legumes e verduras das prateleiras dos mercados.

As autoridades de saúde também recomendaram às pessoas que lavem bem frutas, verduras e legumes e também pratos e talheres, além de lavar bem as mãos antes das refeições.

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