Programa visa mostrar que miséria ainda existe, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira, durante o lançamento do programa Brasil Sem Miséria, em Brasília, que a iniciativa visa “afirmar a todos que a miséria ainda existe no país”.

“Este talvez seja o grande mérito do plano: trazer para todos os governos o compromisso, o objetivo de lutar a cada dia para que o Brasil não tenha mais miséria”, disse a presidente.

Segundo Dilma, foram necessários quatro séculos para que o combate à pobreza se convertesse numa política prioritária do governo.

“Nossos pobres já foram acusados de tudo, inclusive de serem responsáveis pela própria pobreza. Já disseram que, se nós lhes déssemos Bolsa Família, eles se conformariam com a pobreza."

A presidente ressaltou, no entanto, o papel de intelectuais que “remaram contra a maré”.

“O plano Brasil Sem Miséria ecoa muito a voz dessas pessoas, a voz de Joaquim Nabuco, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Josué de Castro, Anísio Teixeira, Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes, Darcy Ribeiro. Esses reduziram a pó as teorias fatalistas sobre pobreza do Brasil.”

Segundo o Censo 2010, 16,2 milhões de brasileiros têm renda familiar per capita inferior a R$ 70, faixa que, segundo o governo, configura pobreza extrema. O grupo é alvo do programa, que visa erradicar a pobreza extrema até 2014.

O lançamento do Brasil Sem Miséria reuniu centenas de pessoas no Planalto do Planalto, entre ministros, congressistas, governadores, prefeitos e outros convidados.

O ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, que tem sido pressionado pela oposição a esclarecer o aumento de 20 vezes em seu patrimônio quando era deputado federal, sentou-se à mesa com Dilma e foi um dos primeiros a serem cumprimentados pela presidente em seu discurso.