Ferido, líder do Iêmen diz que foi alvo de ‘gangue fora-da-lei’

Protestos anti-Saleh em Sanaa (AP) Direito de imagem AP
Image caption Opositores e clãs tribais pressionam pela saída do presidente

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, fez nesta sexta-feira um pronunciamento poucas horas depois de ter sido alvo de um ataque contra o complexo presidencial na capital, Sanaa, no qual disse que foi alvo de uma “gangue fora-da-lei” e prometeu prender os responsáveis pela ação.

Saleh, que está sendo pressionado a renunciar após 33 anos no poder, ficou ferido durante o ataque, ocorrido também nesta sexta-feira.

“Vamos encontrar os culpados mais cedo ou mais tarde, em cooperação com todos os serviços de segurança”, disse Saleh no discurso, transmitido pela TV apenas em áudio.

“Saúdo nossas Forças Armadas e as forças de segurança por enfrentar com firmeza esse ataque de uma gangue fora-da-lei que não tem nenhuma relação com a revolução da juventude (em curso no país).”

Segundo ele, sete pessoas morreram durante a ofensiva contra o palácio presidencial.

De acordo com relatos, além do presidente, o primeiro-ministro iemenita, Ali Mohammed Mujawar, e o presidente do Parlamento, Yahya al-Rai, teriam sido atingidos no ataque desta sexta. A rede de TV Al-Arabiya informou que Rai se encontra em estado crítico.

Grupo tribal

O ataque ocorreu em meio a uma escalada da violência em Sanaa, que desde janeiro é palco de manifestações contra o governo.

Nos últimos dias, aos protestos pró-democracia, inspirados nas revoluções do Egito e da Tunísia, se somaram ataques realizadas por membros do grupo tribal Hashid, rival de Saleh.

Representantes do governo acusaram o grupo de ter realizado o ataque contra o complexo presidencial, mas o líder do clã, Sadaq Al-Ahmar, negou a acusação.

Centenas de pessoas têm abandonado Sanaa desde o aumento da violência, e novas manifestações ocorreram em distintas partes do país após as preces desta sexta-feira.

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Image caption Bombas atingiram mesquita no complexo onde mora o presidente

Confrontos

A correspondente da BBC na cidade Lina Sinjab relata que este foi o primeiro ataque ao complexo presidencial desde que a onda de protestos começou, há cinco meses.

As forças de Saleh bombardearam de Sadaq Al-Ahmar em uma tentativa de enfraquecer o clã, mas o Exército iemenita perdeu muito de sua força recentemente, com a deserção de combatentes à oposição.

Crescem os temores de que o país esteja à beira da guerra civil, já que a retaliação ao ataque contra Saleh pode levar a confrontos ainda mais duros.

Um porta-voz de Sadeq Al-Ahmar disse à rede de TV Al-Jazeera que o ataque ao palácio presidencial foi uma resposta ao bombardeio da casa de seu irmão, Hamid Al-Ahmar.

Também nesta sexta-feira, centenas compareceram ao funeral de 50 pessoas mortas em confrontos com forças pró-governo.

Os Estados Unidos mandaram um enviado ao golfo Pérsico para discutir maneiras de parar a violência, que já fez mais de 350 vítimas desde janeiro. Nos últimos dias, 135 morreram.

Governos regionais e ocidentais pressionam para que o presidente Saleh assine um acordo de cooperação com os países do Golfo, que prevê sua renúncia em troca de garantias de que não será processado.

Saleh concordou em assinar o acordo em diversas ocasiões, mas desistiu.

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