Iemenitas comemoram a saída do presidente Saleh

Civis e soldados celebram a retirada do presidente Saleh, em Sanaa. Direito de imagem AP
Image caption Milhares foram às ruas na capital para comemorar a saída do presidente

Milhares de pessoas foram às ruas na capital do Iêmen, Sanaa, neste domingo para comemorar a retirada do presidente Ali Abdullah Saleh, que deixou o país no último sábado.

Saleh foi para a Arábia Saudita se submeter a um tratamento médico devido aos ferimentos que sofreu depois de um ataque ao complexo presidencial na sexta-feira.

Muitos jovens celebram na praça da Universidade em Sanaa, e milhares foram às ruas cantando e levando bandeiras.

No entanto, explosões e tiros foram ouvidos na cidade e também em Taiz, no sul do Iêmen. Dez pessoas foram mortas neste domingo, nos episódios de violência, cinco delas em Taiz.

Ainda não se sabe de Saleh vai voltar ao país e sua partida, segundo analistas, o deixa em uma posição enfraquecida na política iemenita.

Neste domingo, Saleh passou por duas cirurgias bem sucedidas, no peito e no pescoço, segundo autoridades sauditas.

A Arábia Saudita tem uma fronteira de 1,5 mil quilômetros com o Iêmen e está participando de forma ativa nos eventos do país, tentando firmar um acordo de transição.

Al-Qaeda

Segundo a correspondente da BBC em Sanaa, Lina Sinjab o governo do Iêmen responsabilizou a Al-Qaeda pelo bombardeio ao complexo presidencial onde Saleh e outros oficiais do governo foram feridos.

Segundo autoridades sauditas, o líder iemenita chegou à Riad em um avião médico do país.

Oficiais do governo confirmaram ele tem queimaduras de segundo grau no peito e no rosto e que foi atingido por um estilhaço de 7,6 centímetros, que se alojou perto do coração e está afetando seu pulmão.

O levante popular exigindo a renúncia de Saleh, que governa o país há 33 anos, deixou mais de 300 vítimas desde janeiro e levou o pais à beira da guerra civil.

Situação incerta

Após a saída do presidente, o vice-presidente Abd-Rabbu Mansour Haddi tomou o poder no país, incluindo o comando das forças armadas e das forças de segurança, como prevê a Constituição do Iêmen.

Haddi se encontrou, na manhã deste domingo, com o embaixador americano no Iêmen, Gerald Feierstein, para discutir a situação incerta no país.

De acordo com Lina Sinjab, ainda não está claro se o presidente – que já prometeu entregar o poder diversas vezes – irá retornar à capital. No entanto, um oficial do governo teria dito que ele voltará em alguns dias.

O correspondente de Oriente Médio da BBC, Jon Leyne, diz que se Saleh tiver deixado o país definitivamente, uma nova batalha pelo poder terá início no Iêmen entre o vice-presidente, o filho mais velho de Saleh, líderes tribais e o movimento popular.

Fontes próximas ao presidente confirmaram à BBC que alguns membros de sua família deixaram o país com ele, incluindo sua esposa.

Há relatos de que o primeiro-ministro e outros membros do governo também estão na Arábia Saudita recebendo tratamento médico.

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Image caption Ainda não está claro se Saleh voltará ao país após o tratamento médico

Mas o filho de Saleh, Ahmad, e seus sobrinhos, Ammar e Yehia, que são os comandantes militares do presidente, ainda estariam no país. Ahmad comanda a Guarda Republicana, um grupo de elite, e outros parentes controlam unidades de segurança e inteligência.

Ammar e Yehia colaboraram com os Estados Unidos no combate a organizações extremistas no país.

A correspondente Lina Sinjab diz que muitos no Iêmen acreditam que a presença deles no período transicional é essencial para que o novo regime seja bem recebido por poderes regionais e internacionais.

Ataque

De acordo com oficiais, Saleh e diversos membros do governo estavam rezando na mesquita al-Nahdayn, dentro do complexo que serve de residência ao presidente, no sul da capital, Sanaa, quando o prédio foi alvejado. Sete guardas morreram em consequência da explosão.

Acreditava-se que a mesquita tinha sido atingida por mísseis, mas agora há evidências de que alguém pode ter plantado uma bomba no edifício.

Horas depois do ataque, o presidente divulgou uma mensagem de áudio em que garantia que estava bem. Nela, o líder iemenita disse foi alvo de uma "gangue fora-da-lei" de seu oponente, o xeque Sadeq al-Ahmar, chefe da tribo Hashid.

O xeque al-Ahmar negou que os membros de seu clã, que continuam enfrentando as forças de segurança do Iêmen, tenham sido responsáveis pelo bombardeio.

O ministro Hisham Sharaf disse ainda que os chefes das câmaras do parlamento, Yahya al-Rai e Abdul Aziz Abdul Ghani foram seriamente feridos, assim como o primeiro-ministro Ali Mohammed Mujawar e o conselheiro de segurança de Saleh.

Nos últimos dias, aos protestos pró-democracia, inspirados nas revoluções do Egito e da Tunísia, se somaram ataques realizadas por membros do clã Hashid. A família Ahmar, líder do clã, está financiando a oposição e ajudando a sustentar os manifestantes, que pedem a renúncia do presidente desde janeiro.

Governos regionais e ocidentais pressionam para que o presidente assine um acordo de cooperação com os países do Golfo, que prevê sua renúncia em troca de garantias de que não será processado.

Ele concordou em assinar o acordo em diversas ocasiões, mas desistiu.

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