Confrontos entre manifestantes e soldados isralenses na fronteira com a Síria deixam 22 mortos

Manifestantes na fronteira entre Israel e as Colinas de Golã (Reuters) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Ativistas pró-palestina tentam atravessar a fronteira entre Síria e Golã

Os confrontos entre manifestantes pró-Palestina, que tentavam cruzar a fronteira entre a Síria e as Colinas de Golã, território ocupado por Israel, e tropas israelenses deixaram 22 mortos e 350 feridos segundo a TV estatal da Síria.

O canal estatal informou que os confrontos já duram mais de dez horas e os manifestantes tentaram várias vezes romper a fronteira israelense.

Durante a noite os manifestantes acenderam fogueiras perto da fronteira e afirmaram que pretendem permanecer por tempo indeterminado.

A manifestação marca os 44 anos da Guerra dos Seis Dias de 1967, quando Israel ocupou as colinas do Golã da Síria, os territórios palestinos - Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental - e a península do Sinai do Egito.

De acordo com o repórter da rádio estatal de Israel, que se encontra perto da fronteira, a maior parte do grupo de manifestantes que tenta atravessar é formada por crianças e adolescentes. Muitos levavam bandeiras palestinas e atiraram pedras e lixo sobre a cerca.

Meios de comunicação israelenses dizem que alguns dos ativistas conseguiram entrar no território, apesar do rígido policiamento da fronteira.

A repórter militar da rádio estatal de Israel, Carmela Menashe, disse que fontes do Exército israelense garantem que as tropas foram orientadas a "agir com contenção para restringir o numero de feridos".

Também neste domingo, o exército israelense atirou bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes palestinos no ponto de checagem de Kalandia, principal fronteira entre Israel e a Cisjordânia.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que ficou "perturbado" pela "perda de vidas".

"Pedimos que todos os lados tenham moderação. Ações provocativas como estas devem ser evitadas", afirmou o departamento em uma declaração.

Exército 'capacitado'

O porta-voz do governo israelense, Mark Regev, disse à BBC que os números divulgados pela Síria não são confiáveis.

Horas antes da manifestação deste domingo, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu disse que não permitiria que "extremistas" atravessassem as fronteiras de Israel.

"Eu instruí nossas forças de segurança a agirem com determinação e contenção para proteger a soberania de nossas fronteiras, cidades e cidadãos", disse Netanyahu, durante a reunião semanal com o membros do governo, em Jerusalém.

O Exército israelense disse que seus soldados gritaram alertas em árabe para os manifestantes e que atiraram para o ar antes de mirar nas pernas dos que chegaram à cerca que separa a Síria das Colinas de Golã.

A porta-voz do exército, Avital Leibovich, disse à imprensa que "isso é uma tentativa do regime sírio de tirar a atenção do mundo do banho de sangue que vem acontecendo no país nas últimas semanas".

Ela disse ainda que, depois de protestos similares na fronteira, que aconteceram no mês de maio, as forças israelenses se prepararam para "uma variedade de cenários possíveis na operação" e estão mais capacitados para impedir as manifestações.

No dia 15 de maio, milhares de manifestantes pró-Palestina se dirigiram para as fronteiras de Israel com territórios palestinos, com a Síria, com a Jordânia e com o Líbano.

Eles estavam relembrando outra data importante para os palestinos, o 63º aniversário da Nakba – que significa catástrofe em árabe – quando milhares de palestinos perderam suas casas em meio aos conflitos pela criação do estado de Israel em 1948.

Pelo menos doze pessoas foram mortas pelos soldados israelenses nas manifestações de maio, em que algumas pessoas conseguiram cruzar a fronteira com as Colinas de Golã.

Dia da Naksa

A manifestação deste domingo faz parte dos atos para marcar o dia da Naksa - que em árabe significa derrota - em referência à guerra conhecida como Guerra dos Seis Dias, que começou no dia 5 de junho de 1967.

Em um comunicado à imprensa, o principal negociador palestino, Saeb Erekat, exortou a comunidade internacional a "tomar as medidas necessárias para pôr um fim à ocupação israelense".

Erekat também pediu o reconhecimento do Estado Palestino nas fronteiras de 1967 e o apoio à admissão da Palestina como Estado-membro da ONU.

O dia da Naksa - que também significa humilhação - é lembrado neste domingo com manifestações de palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e de refugiados palestinos que se encontram em campos no Líbano e na Síria.

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