Israel abre fogo contra manifestantes na fronteira com a Síria

Manifestantes na fronteira entre Israel e as Colinas de Golã. Direito de imagem Reuters
Image caption Ativistas pró-palestina relembraram a Guerra dos Seis Dias, de 1967

Soldados israelenses abriram fogo contra manifestantes pró-Palestina na Síria, na manhã deste domingo, enquanto o grupo tentava atravessar a fronteira entre a Síria e as colinas de Golan, território ocupado por Israel.

Testemunhas dizem que diversas pessoas foram feridas e, segundo a TV estatal síria , quatro pessoas foram mortas.

A tentativa fazia parte de uma manifestação marcando os 44 anos da Guerra dos Seis Dias de 1967, quando Israel ocupou as colinas do Golã da Síria, os territórios palestinos - Cisjordânia, Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental - e a península do Sinai do Egito.

O governo israelense havia dito que tentaria impedir um protesto similar ao que ocorreu no mês de maio, em que centenas de pessoas conseguiram atravessar a fronteira.

De acordo com a radio estatal de Israel, soldados israelenses que se encontram na região da aldeia de Majd El Shams, nas Colinas de Golã, junto à fronteira com a Síria, utilizam alto-falantes para advertir os manifestantes que vêm da direção da Síria, de que irão "atirar em quem tentar romper a fronteira".

Segundo repórteres no local, apesar das advertências dos soldados, centenas de pessoas correram em direção à cerca. As tropas abriram fogo e o número de mortos e feridos está aumentando.

De acordo com a TV síria, uma das vitimas é um menino de 12 anos.

Dia da Naska

Horas antes, o primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu afirmou que "a violação da soberania israelense não será tolerada e que as tropas receberam instruções para impedir o rompimento da cerca com firmeza".

A manifestação de sírios e palestinos junto à fronteira israelense faz parte dos atos para marcar o dia da Naksa, que em árabe significa derrota, em referência à guerra conhecida como Guerra dos Seis Dias, que começou no dia 5 de junho de 1967.

Em um comunicado à imprensa, o principal negociador palestino, Saeb Erekat, exortou a comunidade internacional a "tomar as medidas necessárias para pôr um fim à ocupação israelense".

Erekat também pediu o reconhecimento do Estado Palestino nas fronteiras de 1967 e o apoio à admissão da Palestina como Estado-membro da ONU.

O dia da Naksa - que além de significar derrota, também significa humilhação - é lembrado neste domingo com manifestações de palestinos na Cisjordânia e na Faixa de Gaza e de refugiados palestinos que se encontram em campos no Líbano e na Síria.

No ponto de checagem de Kalandia, principal fronteira entre Israel e a Cisjordânia, milhares de palestinos começaram a se organizar para uma grande manifestação.

Tropas israelenses em Kalandia foram orientadas para impedir qualquer tentativa dos manifestantes palestinos de romper a barreira e tentar seguir em direção a Jerusalém.

Milhares de pessoas também participaram de um comício organizado pelo Hamas no vilarejo de Beit Hanoun, no norte da Faixa de Gaza.

No ponto de checagem de Erez, na entrada da Faixa de Gaza, tropas israelenses também foram instruídas para conter possíveis tentativas de manifestantes palestinos de atravessarem a fronteira em direção a Israel.

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