Depois de eleição, premiê português renuncia a liderança de partido

Partidários do PSD, de centro-direita, comemoram pesquisas boca de urna em Lisboa (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Opositores do governo comemoraram ao anúncio das primeiras pesquisas

O primeiro-ministro interino de Portugal, José Sócrates, admitiu a derrota nas eleições gerais do país e renunciou como líder do Partido Socialista.

"Esta derrota é totalmente minha e quero assumir toda a responsabilidade", disse Sócrates neste domingo.

"Sinto que é necessário abrir um novo ciclo político que seja capaz de preparar uma alternativa consistente. Quero dar ao Partido Socialista o espaço para discutir seu futuro e escolher uma nova liderança."

Pesquisas de boca de urna divulgadas logo após da votação sugerem a vitória do partido de oposição, o Partido Social Democrata (PSD), liderado por Pedro Passos Coelho, sobre o Partido Socialista.

Segundo a correspondente da BBC em Lisboa Alison Roberts, as pesquisas também sugerem que o PSD deverá precisar formar uma coalizão com outro partido de direita, o Centro Democrático Social (CDS), para conseguir a maioria.

O ministro da Economia, José Vieira da Silva, afirmou que as sondagens mostram a vitória do PSD.

"Estes são resultados claros que o Partido Socialista quer reconhecer. Todos os resultados apontam para uma vitória do PSD e uma derrota para os Socialistas", disse.

O novo governo terá que implementar o pacote econômico que prevê uma ajuda financeira de 78 bilhões de euros ao país.

As eleições deste domingo foram marcadas pela forte crise econômica em Portugal. O país terá que reformar seu sistema público de saúde e implementar um programa de privatizações em troca de ajuda financeira, negociada com os países da União Europeia.

Todos os principais partidos concordaram com o pacote de ajuda financeira, que exigirá medidas de austeridade no país.

O líder socialista José Sócrates renunciou ao cargo de primeiro-ministro em março, abrindo caminho para novas eleições depois que a oposição parlamentar rejeitou um plano de medidas de austeridade proposto pelo governo socialista – o segundo em menos de um ano.

Desde então, ele governou como primeiro-ministro interino.

Crise

Portugal enfrenta uma taxa de desemprego superior a 12% e uma economia que deve contrair 2% neste ano e no próximo.

Ao votar nos arredores de Lisboa, Pedro Passos Coelho afirmou que Portugal deve obedecer os termos do pacote de ajuda financeira.

"Nós sabemos que teremos um período muito difícil nos próximos dois ou três anos", disse.

"Mas tenho certeza de que vamos fazer as mudanças necessárias e Portugal vai alcançar uma nova prosperidade com crescimento econômico", acrescentou.

Na última semana Passos Coelho afirmou que era o candidato preferido dos países que doarão dinheiro a Portugal.

"Vamos cortar o desperdício e os excessos do estado, ao mesmo tempo em que encontraremos uma maneira de fazer com que os mais necessitados tenham o que precisam", disse Coelho a seus partidários.

José Sócrates acusa os social-democratas de terem uma "agenda de direita radical" e critica Passos Coelho por sua falta de experiência no governo.

"Se você acha que programas sociais são importantes, vote no Partido Socialista porque nossas políticas asseguram o estado de bem estar social", disse o candidato em um comício, na última sexta-feira.

O próximo governo terá que implantar reformas fiscais e sociais amplas e urgentes, incluindo mais medidas de austeridade para restaurar a saúde fiscal do país e encorajar o crescimento econômico.

Os termos do acordo de ajuda financeira incluem aumento dos impostos, congelamento de aposentadorias e cortes nos benefícios dos funcionários.

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