Sauditas afirmam que presidente do Iêmen se recupera de cirurgia

O presidente do Iêmen Ali Abullah Saleh Direito de imagem REUTERS
Image caption Ainda não se sabe se Saleh irá ou não regressar ao Iêmen

Autoridades sauditas afirmaram nesta segunda-feira que o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, está se recuperando de uma cirurgia para remover estilhaços de seu peito.

Ele foi levado para a Arábia Saudita em um voo de emergência no sábado, um dia após ter sido ferido em um ataque contra o complexo presidencial, na cidade de Sanaa.

Milhares de pessoas no Iêmen tomaram as ruas das principais cidades do país para comemorar a partida de Saleh, que está há 33 anos no poder, depois de semanas de protestos contra o seu governo.

Ainda não está claro se ele pretende ou não retornar ao Iêmen.

Incógnita

Houve relatos de que ele permaneceria na Arábia Saudita por duas semanas - a primeira ele passaria se recuperando da cirurgia e, na segunda, manteria reuniões com políticos. Mas não se sabia o que ele planejava fazer em seguida.

''Saleh goza de boa saúde, e ele pode vir a entregar o cargo algum dia, mas isso precisa ocorrer de forma constitucional'', afirmou o vice-ministro da Informação do Iêmen, Abdu al-Janadi.

De acordo com as autoridades sauditas, o líder do Iêmen foi submetido a duas operações bem sucedidas no domingo - uma realizada no peito e a outra, no pescoço.

Segundo o correspondente da BBC para o Oriente Médio Jon Leyne, mesmo que Saleh deseje regressar é improvável que a Arábia Saudita permita que ele o faça.

O vice-presidente iemenita Abd-Rabbu Mansour Hadi assumiu a presidência na ausência de Saleh, e o comando das Forças Armadas e dos serviços de segurança do país.

A agência de notícas estatal Saba relatou que Hadi se encontrou com o embaixador dos Estados Unidos no Iêmen, Gerald Michael Feierstein, e que os dois discutiram ''a importância da cooperação'' com o bloco de oposição imenita conhecido como Fórum Comum.

Mas Hadi possui, na prática, pouco poder, já que os filhos de Saleh e outros de seus parentes estão no comando de postos-chave das forças de segurança.

Disputa de poder

O atentado de sexta-feira realizado contra Saleh se deu após dias de enfrentamentos de rua entre forças do governo e ativistas leais ao xeque Sadiq al-Ahmar, que comanda a poderosa federação tribal Hashid.

Os combates já mataram mais de 160 pessoas e deixaram o país à beira da guerra civil.

A trégua negociada entre as duas facções parecia estar surtindo efeito, no início desta segunda-feira.

Os protestos que vêm sacudindo o país se inspiraram nas insurreições populares realizadas na Tunísia e no Egito, que levaram à deposição dos líderes destes países.

Assim como nos outros países árabes, os manifestantes vêm pedindo reformas democráticas e o fim do mandato de Saleh.

Saleh, que comandou uma repressão brutal contra os protestos de rua, concordou com um acordo intermediado pelo Conselho de Cooperação do Golfo, pelo qual ele aceitaria renunciar e em troca não seria processado.

Mas por ora ele vem se recusando a assinar o acordo. Alguns analistas acreditam que a Arábia Saudita fará uso de sua presença no país para pressionar o governo a ratificar o acordo.

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