Forças pró-Khadafi realizam novo bombardeio em Misrata

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Image caption Fumaça é vista em um depósito atingido por um foguete em Misrata

Tropas leais ao líder líbio, coronel Muamar Khadafi, fizeram um novo ataque à cidade de Misrata, no oeste da Líbia, depois que os insurgentes que controlam a cidade tentaram realizar uma ofensiva nas frentes leste, oeste e sul da localidade.

De acordo com o correspondente da BBC em Misrata David Loyn, fortes explosões e disparos de mísseis foram ouvidos no leste da cidade. Porta-vozes dos rebeldes afirmam que 12 combatentes foram mortos na frente leste, e dois teriam morrido no lado oeste.

Misrata tem sido cenário de pesados combates desde o início do conflito entre as forças pró-Khadafi e os rebeldes, em fevereiro.

Desde meados de maio, a cidade vem sendo alvo de bombardeios do governo.

Ambulâncias recolheram um grande número de feridos e um fila de carros se formou em frente ao único hospital em funcionamento em Misrata. A rádio local, segundo o repórter, fez um apelo urgente por doadores de sangue.

Loyn diz que o principal comandante militar rebelde da frente no sul da cidade, Salahuddin Badi, ficou ferido nos ataques. No entanto, ele foi visto dando um discurso motivacional para suas tropas, com o rosto ensanguentado, antes de receber atendimento médico.

O correspondente da BBC afirma que, nas últimas três semanas, o exército de insurgentes em Misrata se manteve nas mesmas posições conquistadas desde que expulsaram as forças pró-governo da cidade.

Combatentes rebeldes disseram à BBC que as tropas de oposição conseguiram avançar vários quilômetros a leste de Misrata, chegando aos arredores da cidade costeira vizinha de Tawargha.

Otan

Ministros da Defesa de países membros da Otan, reunidos em Bruxelas, afirmaram que a organização vai permanecer na Líbia "o tempo necessário" e mobilizar os "meios necessários" para a campanha militar contra Khadafi.

Depois da reunião para avaliar os três meses de ataques aéreos em território líbio, os ministros divulgaram uma declaração na qual informaram que estão "determinados a continuar nossa operação para proteger o povo líbio".

"Estamos comprometidos a fornecer os meios necessários e a máxima flexibilidade operacional dentro de nosso mandato, para manter estes esforços, e também aprovamos contribuições adicionais a nossos esforços comuns", afirmou a declaração.

Em seu pronunciamento em Bruxelas, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, também pediu que a comunidade internacional começasse a se preparar para a Líbia pós-Khadafi.

"O momento para começar a planejar é agora", disse Rasmunssen. "Nós vemos as Nações Unidas no papel de liderança em um cenário pós-Khadafi, pós-conflito, e esta é a razão de enviarmos uma mensagem clara. Não vemos a Otan no papel de liderança."

"Vamos deixar isto para outras organizações internacionais, principalmente as Nações Unidas, e esta é a razão essencial para que os planos necessários para esta situação estejam prontos", acrescentou.

Na semana passada, a Otan concordou em estender suas operações aéreas na Líbia por mais 90 dias, aumentando o alcance e intensidade da ação militar no país.

Reconhecimento

Durante uma visita à cidade de Benghazi, nesta quarta-feira, a ministra do Exterior da Espanha, Trinidad Jimenez, afirmou que seu país reconheceu o Conselho Nacional de Transição da Líbia como o "representante legítimo do povo líbio".

O Conselho, que governa a região leste da Líbia, sob controle dos rebeldes, tem pedido reconhecimento diplomático e verbas para manter sua campanha contra as forças de Khadafi.

Enquanto isso, China e Rússia estão envolvidas em esforços diplomáticos separados para tentar encerrar o conflito no país.

O ministro do Exterior líbio, Abdul Ati al-Obeidi, está visitando Pequim, e um enviado russo está no leste da Líbia, também na cidade de Benghazi, para se encontrar com os líderes de oposição.

'Vivo ou morto'

Durante a madrugada foram ouvidas mais explosões na capital líbia, Trípoli, depois de um dia de bombardeios intensos na terça-feira.

Ainda na terça-feira, a TV estatal divulgou uma mensagem de áudio atribuída a Khadafi, em que ele diz que permanecerá na capital do país "vivo ou morto" e acrescentava que morrer como mártir seria "um milhão de vezes melhor do que se render".

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