Otan ficará na Líbia o 'tempo necessário', dizem ministros em Bruxelas

Colunas de fumaça em Trípoli (AP) Direito de imagem BBC World Service
Image caption Trípoli continua sendo bombardeada

Ministros da Defesa de países membros da Otan reunidos nesta quarta-feira em Bruxelas afirmaram que a organização vai permanecer na Líbia "o tempo necessário" e mobilizar os "meios necessários" para a campanha militar contra o líder líbio, Muamar Khadafi.

Depois da reunião para avaliar os três meses de ataques aéreos em território líbio, os ministros dos países membros divulgaram uma declaração na qual informaram que estão "determinados a continuar nossa operação para proteger o povo líbio".

"Estamos comprometidos a fornecer os meios necessários e a máxima flexibilidade operacional dentro de nosso mandato, para manter estes esforços, e também aprovamos contribuições adicionais a nossos esforços comuns", afirmou a declaração.

Em seu pronunciamento em Bruxelas, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, também pediu que a comunidade internacional começasse a se preparar para a Líbia pós-Khadafi.

"O momento para começar a planejar é agora", disse Rasmunssen. "Nós vemos as Nações Unidas no papel de liderança em um cenário pós-Khadafi, pós-conflito, e esta é a razão de enviarmos uma mensagem clara. Não vemos a Otan no papel de liderança."

"Vamos deixar isto para outras organizações internacionais, principalmente as Nações Unidas, e esta é a razão essencial para que os planos necessários para esta situação estejam prontos", acrescentou.

Na semana passada a Otan concordou em estender suas operações aéreas na Líbia por mais 90 dias, aumentando o alcance e intensidade de sua campanha para proteger civis.

Reconhecimento

Durante uma visita à cidade de Benghazi, nesta quarta-feira, a ministra do Exterior da Espanha, Trinidad Jimenez, afirmou que seu país reconheceu o Conselho Nacional de Transição da Líbia como o "representante legítimo do povo líbio".

O Conselho, que governa a região leste da Líbia, sob controle dos rebeldes, tem feito lobby pesado para conseguir reconhecimento diplomático e verbas para manter sua campanha contra as forças de Khadafi.

Enquanto isso, China e Rússia estão envolvidas em esforços diplomáticos separados para tentar encerrar o conflito no país.

O ministro do Exterior líbio, Abdul Ati al-Obeidi, está visitando Pequim, e um enviado russo está no leste da Líbia, também na cidade de Benghazi para se encontrar com os líderes de oposição.

'Vivo ou morto'

Durante a madrugada foram ouvidas mais explosões na capital líbia, Trípoli, depois de um dia de bombardeios intensos na terça-feira.

Ainda na terça-feira, a TV estatal líbia divulgou uma mensagem de áudio atribuída a Khadafi, em que ele diz que permanecerá na capital do país "vivo ou morto" e acrescentava que morrer como mártir seria "um milhão de vezes melhor do que se render".

Ele pediu para que seus correligionários se concentrassem em instalações militares para desafiar os bombardeios da Otan.

"O povo líbio marchará, a leste ou oeste ou qualquer lugar onde estejam as gangues armadas", disse ele.

Dirigindo-se à Otan, Khadafi disse que "seus aviões não vão conseguir impedir estas marchas de milhões, nem as gangues armadas que vocês apoiam resistirão por um minuto sequer".

Forças de Khadafi e rebeldes vêm se enfrentando desde o início de protestos pró-democracia em fevereiro, inspirados nos levantes que derrubaram os governos de Tunísia e Egito.

Uma coalizão militar internacional interveio em 19 de março sob um mandato internacional para proteger civis. A Otan assumiu o controle das operações em 31 de março.

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