Um ano após golpe, impunidade pode gerar violência no Quirguistão, diz ONG

Violência no Quirguistão
Image caption País viveu onda de violência em 2010, e não houve punições, diz Anistia

Cerca de um ano depois de ter vivido um golpe e uma onda de confrontos étnicos, o Quirguistão corre o risco de cair novamente em uma espiral de violência por conta da impunidade, diz relatório da Anistia Internacional divulgado nesta quarta-feira (noite de terça no horário de Brasília).

A ONG de direitos humanos adverte que a ausência de punição para as mortes de civis ocorridas durante os choques étnicos em 2010 pode levar a mais confrontos no país da Ásia Central.

Cerca de 470 pessoas morreram em choques entre as etnias quiguiz e uzbeque no sul do país em junho passado. Outras centenas ficaram feridas. A Anistia insta o governo do país a “estabelecer a verdade sobre o que aconteceu” e punir os autores dos crimes.

“A ausência de justiça para os responsáveis pela violência pode prover terreno fértil para futuras turbulências e futuras violações dos direitos humanos”, diz a ONG.

A violência se seguiu a semanas de turbulência e a um levante popular que tirou do poder o então presidente Kurmanbek Bakiyev, em abril de 2010.

No mês passado, uma investigação internacional concluiu que a natureza coordenada e sistemática dos ataques perpetrados poderia configurar crime contra a humanidade.

Mas o governo quirguiz rejeitou as conclusões, dizendo que elas eram tendenciosas. Em seguida, o político finlandês responsável pelas investigações, Kimo Kiljunen, foi impedido de entrar no país asiático.

Crimes

Para a Anistia Internacional, “corrupção e favorecimento étnico estão por trás da impunidade impregnada no Quirguistão”.

O relatório da ONG cita 20 casos de estupro e outros tipos de violência sexual documentados durante as semanas de violência em 2010, mas acredita-se que o número real de vítimas seja muito mais alto.

O documento também acusa as forças de segurança do país de “uso excessivo da força” e de prática de tortura contra detentos.

As duas etnias foram afetadas pelos distúrbios de 2010, mas 74% dos mortos eram uzbeques, segundo a Anistia.

Notícias relacionadas