Potências e aliados árabes discutem Líbia pós-Khadafi

Mulher com bandeira dos rebeldes passa por caricatura de Khadafi em Benghazi Direito de imagem Reuters
Image caption Reunião deve discutir envio de ajuda financeira aos rebeldes líbios

Representantes de potências ocidentais e aliados árabes se reúnem nesta quinta-feira em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, para discutir a situação da Líbia caso o coronel Muamar Khadafi seja derrubado do poder.

Os países do chamado Grupo de Contato também devem discutir sua promessa de estabelecer um fundo para ajudar os rebeldes líbios que lutam contra o regime de Khadafi.

A reunião ocorre em meio à intensificação dos bombardeios aéreos contra a capital líbia, Trípoli, pela Otan, a aliança militar ocidental.

Também ocorre em um momento em que os rebeldes tentam expulsar as tropas do governo da cidade de Misrata, a terceira maior do país. Na quarta-feira, pelo menos 14 rebeldes teriam sido mortos na ofensiva.

Autoridades locais de saúde e um porta-voz rebelde afirmaram que outros 20 ficaram feridos quando tropas do governo responderam com tiros de artilharia ao avanço dos rebeldes.

Paralelamente, o promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luís Moreno-Ocampo, afirmou que há evidências de que Khadafi ordenou o estupro de centenas de mulheres como arma na luta contra as forças rebeldes.

Leia mais: Khadafi é investigado por 'uso do estupro como arma de guerra'

O governo líbio não comentou as acusações. No mês passado, Moreno-Ocampo já havia pedido a prisão de Khadafi, de seu filho Saif al-Islam e de seu chefe de inteligência, Abdullah al-Sanussi.

E em Genebra, o Conselho de Direitos Humanos da ONU deve discutir nesta quinta-feira um relatório sobre os supostos abusos aos direitos humanos cometidos tanto pelas tropas do governo quanto pelos rebeldes.

Futuro de Khadafi

Direito de imagem Reuters
Image caption Futuro do próprio Khadafi também deve ser tema da reunião

O Grupo de Contato, que se reúne nesta quinta-feira em Abu Dhabi, inclui Grã-Bretanha, França e Estados Unidos, além de aliados árabes como Jordânia, Kuwait e Catar.

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, desembarcou em Abu Dhabi na noite da quarta-feira para participar da reunião.

Segundo um diplomata americano citado pela agência de notícias Reuters, o encontro pretende discutir as condições para o fim do conflito na Líbia, como um possível acordo de cessar-fogo e o futuro de Khadafi e de sua família.

Segundo o subsecretário britânico para Relações Exteriores Alistair Burt, que também deve participar da reunião, o grupo deve “reiterar a mensagem inequívoca de que Khadafi, sua família e seu regime perderam toda a legitimidade e devem sair para que o povo líbio possa determinar seu próprio futuro”.

Na noite desta quarta-feira, duas fortes explosões foram ouvidas em Trípoli, possivelmente próximo ao local da residência de Khadafi.

Na semana passada, a Otan prorrogou suas operações no país por mais 90 dias e aumentou o escopo de sua campanha.

As operações da Otan, iniciadas em março, foram autorizadas por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU para proteger civis líbios de ataques das forças de Khadafi.

Desde a semana passada, as operações da Otan no país vêm incluindo helicópteros e centros de comando em Trípoli vêm sendo bombardeados.

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