Caso Battisti: Itália convoca embaixador no Brasil para consultas

Manifestantes protestam contra libertação de Battisti nesta sexta-feira/AP Direito de imagem AP
Image caption Ocorreram protestos em Roma contra decisão do STF nesta sexta-feira

O governo italiano convocou nesta sexta-feira seu embaixador em Brasília, Gherardo La Francesca, após a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de não conceder ao país a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti, libertado na última quinta-feira.

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores da Itália informou que o diplomata foi chamado temporariamente de volta ao país para "consultas" sobre o caso.

Segundo o comunicado da chancelaria, a intenção do governo italiano é obter maiores informações sobre acordos assinados entre Brasil e Itália, em vista do recurso que o país apresentará ao Tribunal Internacional de Justiça em Haia contra a decisão brasileira.

"A convocação (do embaixador) foi decidida para aprofundar, junto aos outros órgãos competentes, os aspectos técnicos e jurídicos... dos acordos bilaterais existentes, em vista das iniciativas e dos recursos nas sedes legais internacionais", diz a nota.

Na linguagem diplomática, segundo a imprensa italiana, trata-se de um ato que expressa forte irritação pela liberação do ex-ativista, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro homicídios.

Em declaração à mídia local, o ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini, disse que a decisão brasileira não foi "serena" e que o caso não poderá ser resolvido diplomaticamente.

"Esperávamos por uma decisão serena das autoridades brasileiras, no entanto houve uma decisão política e não jurídica. Diante disto não há diplomacia que resolva", disse.

Boicote

O caso provocou duras reações das autoridades italianas e de familiares de vítimas de grupos extremistas na Itália.

Bruno Berardi, filho do marechal Rosário Berardi, assassinado em 1978 pelo grupo de extrema-esquerda Brigadas Vermelhas, sugeriu que, como forma de protesto contra a decisão do STF, a Itália boicotasse a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

"O governo italiano deve retirar a participação da seleção italiana da Copa do Mundo de 2014 e de outros eventos semelhantes", declarou Berardi à imprensa italiana.

Em uma enquete realizada na edição online do jornal Corriere della Será, 80% dos internautas disseram concordar com a proposta de Berardi.

A proposta também ganhou a adesão de oficiais do governo, como o ministro da Simplificação Legislativa, Roberto Calderoli.

"Boicotemos a Copa do Mundo de 2014", defendeu o ministro na imprensa.

O ex-jogador da seleção italiana Gigi Riva, membro da Federação Italiana de Futebol, também considerou a possibilidade de usar o boicote como forma de protesto.

"Seria injusto não ir ao Brasil. Estas situações vão além do futebol, mas se de verdade fosse útil para dar um sinal importante para o nosso país, por que não?", disse Riva ao Corriere della Sera.

Manifestantes protestaram nesta sexta-feira em frente à embaixada brasileira Roma contra a decisão sobre Battisti.

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